O Presidente da República vai deslocar-se durante este mês a Roma, para uma reunião do Grupo de Arraiolos, e a Nova Iorque, para participar na 76.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com dois projetos de resolução que deram entrada esta quarta-feira na Assembleia da República, o chefe de Estado requereu autorização para se deslocar a Roma entre os próximos dias 14 e 16 e a Nova Iorque de 18 a 23 de setembro.

Em Roma terá lugar a 16.ª reunião do Grupo de Arraiolos, que junta anualmente presidentes não executivos de Estados-membros da União Europeia e foi uma iniciativa lançada por Jorge Sampaio quando era Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa esteve há menos de três meses na sede das Nações Unidas, quando António Guterres prestou juramento para um segundo mandato de cinco anos como secretário-geral desta organização, que decorrerá do início de 2022 até ao fim de 2026.

Nessa ocasião, em 18 de junho, o Presidente da República fez uma intervenção perante a Assembleia Geral em que defendeu que o antigo primeiro-ministro português "provou ser a pessoa certa, na altura certa" para liderar a ONU e elogiou o seu empenho no multilateralismo.

Marcelo Rebelo de Sousa estreou-se no debate geral anual entre chefes de Estado e de Governo dos 193 Estados-membros da ONU em 2016, com um discurso em que defendeu que o novo secretário-geral devia ser "um congregador de espíritos e de vontades", na linha de Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

Nessa 71.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, o Presidente português esteve focado na candidatura de António Guterres a secretário-geral desta organização - cargo para o qual o antigo primeiro-ministro português seria escolhido menos de um mês depois, iniciando funções em 01 de janeiro de 2017.

Na 72.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 2017, foi o primeiro-ministro, António Costa, quem representou o Estado português.

Em 2018 e 2019, voltou a ser Marcelo Rebelo de Sousa a representar Portugal nos debates gerais das 73.ª e 74.ª sessões da Assembleia Geral da ONU.

Em 2020, foi novamente o primeiro-ministro a discursar na 75.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que devido à pandemia de covid-19 decorreu com recurso a intervenções em vídeo.

No ano passado, estava previsto realizar-se em Lisboa, entre 08 e 09 de outubro, a 16.ª reunião do Grupo de Arraiolos, o que acabou por não acontecer devido à pandemia de covid-19.

Em 2003, o então Presidente da República de Portugal, Jorge Sampaio, promoveu um encontro na vila alentejana de Arraiolos para discutir o futuro da União Europeia com um conjunto de chefes de Estado com poderes semelhantes aos seus.

Em 2018, quando o Grupo de Arraiolos se reuniu em Riga, na Letónia, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que Lisboa iria acolher a reunião de 2020, que cabe a Portugal organizar.

No encontro do ano seguinte, em Atenas, Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que na reunião de Lisboa se iria "fazer o balanço e ver o que grupo que reúne todos os anos deve mudar" e analisar se "deve alargar-se e se deve ter ligação com outras realidades, mesmo não europeias".

O mundo e a Europa mudaram tanto que temos de repensar o Grupo de Arraiolos", considerou o Presidente da República.

Desde a reunião de 2003, em Arraiolos, estes encontros informais têm tido periodicidade anual.

Marcelo Rebelo de Sousa, que assumiu funções como Presidente da República em março de 2016, esteve presente na 12.ª reunião, que decorreu nesse ano na Bulgária, na 13.ª, em Malta, em 2017, na 14.º, na Letónia, e na 15.º, na Grécia.

/ NM