O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se esta segunda-feira preocupado com o aumento da mortalidade infantil, defendendo que é preciso apurar as causas para que "não se volte a repetir no futuro".

Supondo que esses números correspondem à realidade, isso preocupa-me. Porque uma das bandeiras da democracia de Abril era uma mudança revolucionária no domínio da mortalidade infantil, uma redução drástica", considerou.

O chefe de Estado que esteve no Porto a convite do presidente da Câmara, o independente Rui Moreira, para assistir à apresentação do projeto de reconversão do Matadouro Industrial de Campanhã, rejeitou fazer uma leitura dos números, mas sublinhou que "gostava" de perceber, junto dos especialistas, se estes números correspondem à realidade e porque é que isto aconteceu.

Se for verdade aquilo que foi noticiado e, se for verdade que uma das conquistas de Abril conhece uma evolução negativa, então o que é preciso é apurar porque é que isso aconteceu, para que não continue a acontecer", declarou.

De acordo com os dados oficiais ainda provisórios, os valores da mortalidade infantil são apenas ligeiramente acima dos que foram verificados em 2016. No ano passado, a taxa de mortalidade infantil foi de 3,28 mortes por cada mil nados vivos, quando em 2017 tinha sido de 2,69 e em 2016 de 3,24.

CTT: "há situação jurídica"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, escusou-se, contudo, a comentar a hipótese que está a ser defendida pelas federações socialistas do Porto e do Algarve de reverter a privatização do serviço postal dos CTT.

Já tive a ocasião de, em vários momentos, ouvir aquilo que as populações pensam sobre esta matéria e ouvir aquilo que a própria empresa pensa. Portanto, não me quero pronunciar neste momento sobre ela, acompanho-a, sei que há uma situação jurídica, contratual que tem um prazo determinado e deixo que os órgãos competentes se pronunciem", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Quando questionado sobre se considerava ser aceitável que em 2019 cerca de 400 mil portugueses possam ficar sem estações de CTT, o chefe de Estado voltou a reiterar que "não queria estar a pronunciar-se", sublinhando que não cabe ao Presidente da República pronunciar-se quando há outros órgãos do poder político que têm competência para isso.

O líder da Federação Distrital do Porto do PS, Manuel Pizarro, afirmou esta segunda-feira aos jornalistas que "a gestão privada da empresa já teve oportunidade para mostrar o que vale, neste caso para mostrar o que não vale", impondo-se, por isso, que o Estado tenha parte do capital da empresa.

A verdade que é alguns anos passados sobre a decisão, do nosso ponto de vista muito irresponsável, de privatizar totalmente o capital do CTT, o que nós verificamos é que o serviço postal universal está a ser prestado em condições muito deficientes. Isso é muito sério porque põe em causa a coesão territorial e a coesão social, isto é, são os que mais precisam que mais são prejudicados", disse Manuel Pizarro.