O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que Pedro Passos Coelho merece ser condecorado pelo serviço ao país como primeiro-ministro, mas declarou respeitar o seu entendimento de que "é cedo" para esse reconhecimento.

Em resposta aos jornalistas, à saída de uma conferência na Universidade Autónoma de Lisboa, o chefe de Estado confirmou a notícia do jornal Expresso de que mandou sondar Passos Coelho "há cerca de um ano, quando ele saiu das funções de líder do partido [PSD], sobre a hipótese de vir a receber, como os antigos primeiros-ministros, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo", e de que este recusou.

Segundo o Presidente da República, "de uma forma, aliás, muito amável", o anterior primeiro-ministro "disse que entendia que era cedo, no seu percurso, esse reconhecimento nacional".

"Eu acho que era merecida [a condecoração], merecida em valor absoluto e merecida em valor relativo, em atenção a uma prática tradicional. Mas se o próprio entende que é cedo, há que respeitar essa razão", considerou.

Interrogado se espera ainda condecorar Pedro Passos Coelho durante o seu mandato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Isso aí era eu estar a pronunciar-me sobre a intervenção política de alguém que depende em primeira linha dele. Portanto, não me vou pronunciar. Cabe ao próprio, um dia mais tarde, verificar se, sim ou não, estão preenchidas as condições para não ser cedo a condecoração".

"Agora vamos deixar o fluir dos acontecimentos na vida nacional e na intervenção do doutor Pedro Passos Coelho", sugeriu, perante a insistência dos jornalistas sobre se pensa ou não voltar a sondar o ex-presidente do PSD.

O jornal Expresso noticiou no sábado que o anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, "foi sondado pela Presidência da República para ser condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa, mas recusou".

Hoje, em resposta aos jornalistas, o Presidente da República afirmou ter ficado "persuadido por essa posição" de Passos Coelho, "o ser cedo ainda esse reconhecimento, que existiu para os demais primeiros-ministros, com uma exceção".

"Portanto, acabou por não haver a condecoração", referiu.

Segundo a página oficial das ordens honoríficas portuguesas, www.ordens.presidencia.pt, Pedro Santana Lopes foi o último antigo primeiro-ministro condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, atribuída pelo então Presidente da República, Cavaco Silva, em janeiro de 2010, quase cinco anos depois de ter deixado a chefia do Governo.

José Sócrates não foi condecorado depois de sair do cargo de primeiro-ministro, em junho de 2011.

Durão Barroso já tinha recebido em 1996 a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Um mês após sair da presidência da Comissão Europeia, em novembro de 2014, e dez anos depois de ter deixado as funções de primeiro-ministro, recebeu de Cavaco Silva o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique.

António Guterres foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo dois meses depois de deixar as funções de primeiro-ministro, pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, em junho de 2002.

Aníbal Cavaco Silva recebeu a mesma condecoração, das mãos do Presidente da República Mário Soares, em novembro de 1995, um mês depois de deixar as funções de primeiro-ministro.

Recuando aos anos 80, Mário Soares, por sua vez, tinha sido condecorado pelo Presidente da República Ramalho Eanes com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo em abril de 1981, depois de ter sido primeiro-ministro entre 1976 e 1978, cargo que voltaria a exercer entre 1983 e 1985.