O Presidente da República manifestou-se este domingo confiante nas instituições que fiscalizam o poder local, a nível administrativo e jurisdicional, aguardando pelo “apuramento da verdade” sobre as ajudas para as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande.

À margem das comemorações do 216.º aniversário do Colégio Militar, que decorrem este domingo em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a polémica à volta das irregularidades na recolha e gestão de donativos em Pedrógão Grande denunciadas numa reportagem da TVI, tema sobre o qual a Presidência da República emitiu uma nota no sábado.

Sabe que eu confio no Ministério Público, na Provedoria de Justiça, nas instituições que fiscalizam, do ponto de vista administrativo e jurisdicional, o nosso poder local. Nesse sentido, estando desencadeados os mecanismos, resta o apuramento da verdade”, afirmou.

O chefe de Estado acrescentou que, neste caso, “o apuramento da verdade significa saber para onde foi o contributo, não apenas e sobretudo público, mas privado”.

Na semana passada, a TVI emitiu uma reportagem, no programa "Ana Leal", na qual denunciou que os bens doados na sequência do grande incêndio de junho de 2017 estão num espaço da Câmara Municipal de Pedrógão Grande e não foram entregues às vítimas desse desastre.

No sábado, na nota emitida por Belém, o Presidente da República anunciou que irá voltar em junho aos municípios afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande, sublinhou “a necessidade de todos os meios legais, administrativos e judiciais para apurar o sucedido”, e assegurou que não contactou sobre o tema da reconstrução e ajudas o autarca deste município, Valdemar Alves, “no último ano”.

“Especificamente, o Presidente da República não teve nenhum contacto com o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande sobre esta matéria no último ano”, precisa a nota, acrescentando que “carece de qualquer fundamento a afirmação de que teria tido qualquer intervenção na conduta do aludido autarca nesse período de tempo.”

“Tendo em conta os generosos contributos dos portugueses para o processo de reconstrução”, Marcelo Rebelo de Sousa defende que o processo se caracterize “pelo rigor, a transparência, a responsabilidade e a celeridade”, salientando que o pediu “desde a primeira hora e recordou nomeadamente na passagem do primeiro aniversário da tragédia de Pedrógão Grande.

Na sequência da reportagem, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, referiu que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher donativos para as vítimas dos incêndios e rejeitou suspeitas de favorecimento e açambarcamento das ofertas.

O presidente da Câmara disse que o município cedeu o antigo pavilhão gimnodesportivo da vila para a Cruz Vermelha depositar eletrodomésticos, desde frigoríficos a máquinas de lavar roupa e micro-ondas, que serão depois utilizados no apetrechamento das casas reconstruídas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Viseu, afetados pelo incêndio de junho de 2017, que causou 66 mortos e destruiu centenas de habitações.

Também a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) afirmou que os bens armazenados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Pedrógão Grande destinam-se ao apetrechamento de casas reconstruídas, estando ainda 32 habitações em "processo de conclusão".