Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou esta sexta-feira Vasco Cordeiro, ex-presidente do Governo Regional dos Açores, com a grã-cruz da Ordem Militar de Cristo, numa cerimónia restrita no Palácio de Belém, em Lisboa.

De acordo com uma nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, nesta cerimónia, que não foi previamente divulgada, esteve presente o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

A Ordem Militar de Cristo destina-se a distinguir destacados serviços prestados ao país no exercício das funções de soberania.

A mesma condecoração recebida por Vasco Cordeiro foi atribuída aos anteriores presidentes do Governo Regional dos Açores João Bosco Mota Amaral, em 1995, e Carlos César, em 2013, depois de deixarem esse cargo, pelo chefe de Estado na altura em funções, respetivamente, Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva.

Na sua intervenção, divulgada pela Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que este "é um gesto a vários títulos justíssimo", desde logo como manifestação de respeito pela autonomia política e legislativa dos Açores, que no seu entender "tem conhecido um florescimento ao longo de décadas" e "é essencial".

Por razões também institucionais, porque sabemos nós como a governação regional é em si mesma pesada, complexa, difícil, sempre, mas tem-no sido e foi ao longo dos últimos meses de modo muito significativo", prosseguiu, referindo-se à pandemia de covid-19 e às suas "dramáticas consequências económicas e sociais".

Depois, o Presidente da República elogiou o modo como Vasco Cordeiro exerceu as funções de presidente do Governo Regional dos Açores, considerando que contribuiu "para passos importantes que foram dados na vida concreta dos açorianos, nunca esquecendo, aliás, a diáspora".

Segundo o chefe de Estado, estas são "razões justificativas daquilo que é o reconhecimento do Estado português" com esta condecoração, "para que a memória de mulheres e homens se não esbata com o passar do tempo".

É bom que fique claro o que os Açores e Portugal lhe devem. É o significado desta condecoração", concluiu.

Em seguida, Vasco Cordeiro expressou orgulho por esta distinção e considerou que "se deve também a muitos" que exerceram diversas tarefas nos oito anos em que chefiou o executivo regional dos Açores.

As falhas são da minha inteira e exclusiva responsabilidade", afirmou o ex-governante socialista. "Os méritos devem-se a muita gente", acrescentou.

Vasco Cordeiro sucedeu a Carlos César na liderança do PS/Açores e manteve os socialistas na chefia do Governo Regional, entre 2012 e 2020, obtendo em duas eleições maioria absoluta no parlamento açoriano.

Contudo, nas regionais de 25 de outubro de 2020, o PS perdeu a maioria absoluta que detinha há 20 anos, apesar de continuar o partido mais votado, elegendo 25 deputados em 57, e acabou por ver formar-se uma maioria alternativa à direita.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos elegeram 26 deputados, fizeram uma coligação de Governo, que tomou posse em novembro, chefiado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, com acordos de incidência parlamentar com Chega e Iniciativa Liberal (IL), conseguindo assim maioria absoluta na Assembleia Legislativa Regional.

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