Marcelo Rebelo de Sousa disse esta terça-feira estar a "carregar baterias", em Moçambique, quando questionado sobre uma eventual recandidatura à Presidência da República portuguesa, deixando a resposta em aberto.

"Estou a carregar baterias em Moçambique, pode ser que isso ajude em termos também de Portugal", respondeu, à saída de um encontro com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, no palácio da presidência em Maputo.

Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se em Moçambique desde segunda-feira para uma visita de cinco dias centrada na tomada de posse de Nyusi para um segundo mandato, cerimónia agendada para quarta-feira.

Quem está para tomar posse é o Presidente moçambicano. Vamos deixar cada coisa para seu momento", concluiu Marcelo.

Marcelo Rebelo de Sousa cumpre o primeiro mandato como Presidente da República, que termina em 2021.

 

Marcelo e Nyusi apelam ao reforço de investimento português

Os chefes de Estado português e moçambicano defenderam esta terça-feira que é chegado o momento de Portugal apostar no investimento em Moçambique, após um encontro oficial em Maputo.

É uma ocasião muito importante para mais investimento em Moçambique", reafirmou o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, ladeado pelo líder moçambicano, Filipe Nyusi, à saída do encontro entre ambos no palácio presidencial, em Maputo.

O encontro antecedeu a tomada de posse de Nyusi para um segundo mandato, cerimónia marcada para quarta-feira no centro da capital e que motiva a visita de cinco dias do chefe de Estado português.

Marcelo repetiu o apelo feito na segunda-feira, considerando que há um clima de pacificação e melhoria de indicadores económicos, sinais que devem dissipar dúvidas a empresários e investidores, levando-os a avançar para Moçambique.

Naturalmente, Portugal já é veterano nesse investimento, mas "mesmo veteranos podem rejuvenescer, encontrar novas pistas e formas de investir", sugeriu.

Marcas portuguesas lideram o setor da banca moçambicana e são incontornáveis noutros como o comércio, construção e serviços, mas muitos negócios têm sofrido com a crise económica, que atingiu um pico entre 2015 e 2016.

Agora, quando se espera que os megaprojetos de gás natural puxem pelo país, o importante é que "esse investimento privado [reforçado] chegue à economia moçambicana nos próximos anos. Este é um momento de confiança nisso", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

O investimento português "não pode faltar", disse Filipe Nyusi, "sobretudo para o novo ciclo” que o país vai inaugurar. “Precisamos de trabalhar".

Os dois presidentes abordaram uma máxima em comum: "não fazemos inimigos em nenhum lado", disse Filipe Nyusi, mas só isso não basta, acrescentou.

"O importante agora é o que fazemos entre os nossos países", com "a economia, o setor privado em primeiro lugar", disse.

"É com o setor privado que vamos empregar mais e produzir mais receita para os nossos países", sublinhou o Presidente moçambicano.

No final de 2019, as agências de ‘rating' financeiro começaram a tirar Moçambique do nível de incumprimento, o mais baixo de todos, depois de o país ter renegociado o pagamento dos títulos de dívida soberana.

O país espera dar um salto nos níveis de crescimento económico dentro de quatro anos quando arrancarem os projetos de exploração de gás natural que o vão colocar no ‘top 10' de produtores mundiais.

Marcelo referiu que Nyusi demonstra ter "uma energia excecional" para o segundo mandato, algo que o próprio admitiu.

"Terá de ser, porque teremos de correr. Estivemos a fazer o aquecimento", referiu, numa alusão ao primeiro mandato. "Agora teremos de correr", concluiu Filipe Nyusi.

Durante o encontro, foi ainda abordado o esforço de reconstrução nas zonas do país afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth em 2019, antecedendo a visita de Marcelo Rebelo de Sousa agendada para quinta-feira à cidade da Beira, o maior centro urbano atingido pelas intempéries.

O encontro com Marcelo Rebelo de Sousa foi a primeiro de diversas reuniões que Nyusi vai manter esta semana com chefes de Estado presentes em Maputo para a sua tomada de posse.

O Presidente português será o único chefe de Estado dos países membros da União Europeia a marcar presença.