O Presidente da República afirmou que as questões com que a União Europeia (UE) se confronta “são todas estruturais”, sendo necessário assumi-las como tal para evitar perder “uma oportunidade soberana”.

As questões com que a UE se confronta são todas elas estruturais apesar de parecerem conjunturais. Ou quem as enfrenta as assume como estruturais ou uma oportunidade soberana ficará perdida”, observou Marcelo Rebelo de Sousa na sessão de abertura da conferência "A Europa e o Presente", organizada pelo jornal Público no Porto.

O PR sustentou ainda não ser possível “criar ilusões de que brotarão de um qualquer milagre europeu líderes e bases de sustentação que não venham de uma profunda mudança de vida dos estados membros da união [europeia]”.

Se o que temos é estrutural e, sendo emininentemente europeu, mergulha nas raízes das realidades nacionais, então importa pensar e decidir e pensar estruturalmente. E não criar ilusões de que brotarão de um qualquer milagre europeu líderes e bases de sustentação que não venham de uma profunda mudança de vida dos estados”, explicou.

Para Marcelo, tal deve acontecer “sempre com a exata noção de que, de fora da UE, não virão grandes ajudas para já, a não ser porventura em áreas muito limitadas como a da defesa e a da segurança”.

É bom que europa tenha noção de que quem não pode pagar o que sonha, não pode sonhar tão alto solitariamente”, frisou.

Isso significa que “teremos de ser nós, europeus, a cuidar o nosso destino em quase tudo o que nos respeita, de preferência, antecipando antes de atrasar”, acrescentou.

O Presidente da República observou que “até uma matéria conjuntural como a do momento de aprovação do quadro financeiro plurianual antes das eleições ou depois do arranque da nova Comissão Europeia tem conexões com questões estruturais”.

Adiar em vez de antecipar significa dar um sinal errado e um sinal que é estrutural: o de que as instituições europeias entraram em gestão corrente muito antes do fim do mandato”, alertou.

Na conferência que termina esta tarde com a participação do primeiro-ministro, António Costa, o chefe de Estado sustentou ainda que “não há instituições europeias fortes com lideres fracos”, nem “instituições europeias fortes com instituições nacionais fracas”.