Marcelo Rebelo de Sousa criticou esta quinta-feira a operação de segurança montada durante a festa do título do Sporting e, em entrevista à RTP, diz que "há uma leveza na ponderação de situações alternativas ao Marquês de Pombal, uma leveza excessiva na ideia de criar condições para um aglomerado de pessoas em torno do estádio".

O Presidente da República diz que os problemas de organização e funcionamento ditaram o desfecho violento vivido nas celebrações do título.

Interrogado sobre as responsabilidades políticas que originam da violência, o Presidente da República acredita que "há várias instituições chamadas a ponderar como prevenir este tipo de situações", mas destaca que "não é possível ter um polícia atrás de cada cidadão".

No entanto, o Chefe de Estado não hesita em defender Eduardo Cabrita, realçando não saber se, "verdadeiramente", "houve intervenção do ministro da Administração Interna ou se isso não foi tratado a nível de outras estruturas”.

"Não há dados de que tenha havido intervenção do ministro nesta matéria”, continua.

Presidente da República convencido de que orçamentos para 2022 e 2023 vão passar

O Presidente da República declarou-se também convencido de que os orçamentos para 2022 e 2023 vão passar e defendeu que por causa da execução dos fundos europeus é "ainda mais fundamental" a legislatura chegar ao fim.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que as eleições autárquicas que se realizarão entre setembro e outubro deste ano, ainda por marcar, "são nacionais", com possíveis consequências para as lideranças partidárias, e que já se entrou "em pré-campanha eleitoral".

Neste contexto, o Presidente da República afirmou: "Eu estou convencido de que o Orçamento [para 2022] passa e não dou de barato isso - aliás, os protagonistas têm dito isso, que tem de haver negociação - mas admito que possa passar com uma base de apoio similar à do último Orçamento".

É a minha análise da situação. Faz lógica que tenha essa base, pelo menos. Pode ter uma base maior, pode haver um partido que não tenha votado ou que não se tenha abstido de última vez e que se abstenha desta vez. Mas, quer dizer, não estou convencido de que haja um risco grande de o Orçamento não passar", acrescentou.

O Orçamento do Estado para 2021 foi aprovado com votos a favor apenas do PS e a abstenção de PCP, PAN e PEV. O Bloco de Esquerda votou contra pela primeira vez desde o início da anterior legislatura.

Questionado, mais à frente, se está muito confiante que o Orçamento do Estado para 2022 vai passar, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Passa. Estou. E que o seguinte [o Orçamento do Estado para 2023] vai passar".

Sobre Odemira, o Presidente da República considerou que deve haver "consequências e ilações politicas mais vastas" sobre as condições em que vivem os trabalhadores imigrantes em Portugal, com avaliação por antecipação de outros casos semelhantes ao de Odemira.

Questionado se é suficiente a assinatura de protocolos para resolver problemas de habitação dos trabalhadores agrícolas de Odemira e o levantamento da cerca sanitária em duas freguesias daquele concelho do distrito de Beja, o chefe de Estado respondeu: "Não".

Efeitos políticos houve, imediatos, retirados no plano sanitário, no plano da habitação, a título imediato e a título de prazo mais longo. Agora, há muitas situações destas no país. E, portanto, há aqui consequências e ilações politicas mais vastas", acrescentou.

Segundo o Presidente da República, "aquilo que deu origem a decisões concretas do Governo neste caso provavelmente tem de ser avaliado por antecipação noutros casos".