O Presidente da República considerou esta quinta-feira que a investigação criminal ao furto de Tancos é “nuclear e fundamental”, um dia depois de o responsável pela segurança ter confirmado que não foram feitas rondas aos paióis de armamento naquela noite.

Questionado sobre o assunto no final de um encontro com alunos no liceu Passos Manuel, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que esta “é uma matéria relativamente à qual está em curso uma investigação criminal muito avançada, que nesse particular já foi objeto de uma investigação disciplinar interna, que apurou que não tinha havido rondas – há cerca de um ano e meio”.

Agora está a ser a investigação criminal, que eu sempre defendi e sempre pedi”, acrescentou, considerando que essa averiguação, que está “bastante avançada, é nuclear, é fundamental”.

 

E eu sempre considerei que era tão importante para o prestígio das Forças Armadas e para a democracia em Portugal que chegasse ao fim e que chegasse a resultados, quais quer que eles fossem, porque isso significaria o funcionamento da democracia no nosso país”, salientou o chefe de Estado aos jornalistas.

O comandante do Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1), responsável pela segurança no dia do furto de Tancos, confirmou na quarta-feira que não foram feitas rondas aos paióis de armamento na noite do roubo, em 2017.

Na audição na comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos, o coronel João Paulo de Almeida afirmou ser um “facto inegável” que o RE1 tinha “a missão de garantir a segurança” e “não cumpriu a missão a 100%”.

Se não, não tinha havido a intrusão”, afirmou o coronel de infantaria aos deputados da comissão.

E já quanto às rondas, que o jornal Público noticiou, em 2017, que não foram feitas durante 20 horas no dia do furto, o oficial admitiu que não foram feitas entre o “início da noite de dia 27 [de junho] e o início da tarde de dia 28 [de junho]”.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019, e é prorrogável por mais 90 dias.