O Partido Social Democrata apresentou, esta quarta-feira, 102 candidatos às eleições autárquicas. A lista é composta por 23 novos nomes e 77 autarcas que neste mandato já exercem funções. 

A polémica gerou-se nas hora seguintes ao anúncio social-democrata, com vários dos autarcas indicados a afirmarem que não tinham sido contactados por nenhum membro do partido e, em alguns casos, a dizerem que ainda nem teriam decidido se vão recandidatar-se.

Para além da controvérsia inicial, Maria João Marques evidencia que nesta lista de 102 pessoas, apenas três são do sexo feminino. A comentadora da TVI classifica esta decisão como "uma falta de respeito absoluta" e "uma desconsideração pelas mulheres".

O PSD já apresentou 102 candidatos a presidentes das Câmaras Municipais. Em 102 candidatos, há três mulheres. Três mulheres e não são sequer capitais de distrito: Freixo de Espada À Cinta, Cantanhede e Penedono. (...) É uma falta de respeito absoluta do PSD se isto se mantiver nos 200 candidatos que vão apresentar. Uma falta de respeito ao eleitorado que é metade mulheres. Em 102 nomes, apenas três mulheres é uma desconsideração pelas mulheres”, refere Maria João Marques.

 

Entre os 102 nomes, está Carlos Moedas. O social-democrata deverá ser o principal adversário de Fernando Medina na corrida pela Câmara Municipal de Lisboa. 

Carlos Abreu Amorim, antigo deputado do PSD, considera que Carlos Moedas é o melhor candidato para o partido conseguir conquistar a autarquia da capital.

Excelente candidato. Acho que Carlos Moedas é alguém com uma preparação profissional, alguém que teve várias atividades no setor privado, estava na Fundação Gulbenkien, é alguém que tem uma experiência política, quer governamental quer na Comissão Europeia, muito intensa. Portanto, dificilmente consigo ver um melhor candidato melhor para Lisboa mudar de rumo e desejo ao Carlos Moedas todas as felicidades. Lamento, por uma vez, não ser eleitor em Lisboa e não poder votar em Carlos Moedas”, diz Carlos Abreu Amorim.

 

Francisco Mendes da Silva explica que Carlos Moedas vem permitir que o PSD passe a ter uma “narrativa pública mediática de que pode ganhar”. O comentador da TVI acrescenta que esta candidatura instalou um clima de "medo no PS, que se nota na instalação da conversa sobre o apoio a Medina pela parte do Bloco de Esquerda”.

Julgo que o Carlos Moedas é uma boa notícia, porque é um candidato em contraciclo. A escolha de Carlos Moedas é a primeira vez, em muitos anos, que a direita numa eleição a título partidário tem um nome relativamente ao qual a narrativa pública mediática é a de que pode ganhar. Há uma dinâmica de vitória que se vê pelo medo que o PS está a ter já, que se nota na instalação da conversa sobre o apoio a Medina pela parte do Bloco de Esquerda”, explica Francisco Mendes da Silva.

 

Maria João Marques acredita que Carlos Moedas foi uma escolha muito inteligente de Rui Rio.

A escolha de Carlos Moedas é uma escolha muito inteligente de Rui Rio. Não sei quais são os maquiavelismos que estiveram por trás desta escolha, mas é uma boa escolha. (...) Rui Rio, repetidamente, desconsidera Lisboa e Carlos Moedas é, pela primeira vez, dar importância a Lisboa”, evidencia a comentadora da TVI.

 

No entanto, a escolha de Carlos Moedas voltou a alimentar a ideia de uma alegado regresso de Pedro Passos Coelho à política. Um fenómeno que ao longo dos anos tem vindo a ser nominado de "Passismo".

Carlos Abreu Amorim, antigo deputado do PSD, considera que Carlos Moedas garante que não sabe o que é o "Passismo" e que nunca ouvi Pedro Passos Coelho afirmar que vai regressar à política.

Eu não sei o que é o Passismo. Oiço falar, constantemente, no regresso do dr. Pedro Passos Coelho, mas nunca o ouvi a dizer isso. Nunca ouvi. Ouvi pessoas a falar nessa eventualidade, possibilidade de voltar, mas nunca ouvi o próprio dizer isso. O que concluo é que o dr. Passos Coelho é alguém que não pertence ao passado e faz parte da história de Portugal numa altura dificílima, numa crise em que o país esteve, constantemente, a um passo muito curto da banca rota financeira e de não poder cumprir os seus compromissos internos e externos. (...) Eu não sei se o dr. Passos Coelho vai voltar, penso que ninguém sabe, só ele”, esclarece o ex-deputado do PSD.

 

Maria João Marques teoriza que a ideia/desejo do regresso de Pedro Passos Coelho representa a incapacidade social-democrata em lidar com a resolução política de 2015 e com o sucesso da Geringonça.

O Passismo é tentar acertar contas com 2015. (...) A geringonça mostrou ser uma solução estável”, aponta Maria João Marques.

 

Nuno Mandeiro