Mariana Mortágua considerou a detenção de José Berardo, conhecido como Joe Berardo, como "um bom passo" da investigação, mas fez questão de ressalvar que só "haverá justiça quando houver uma condenação". Questionada se este caso pode terminar em nada, a deputada disse não querer acreditar nesse cenário. 

Não quero acreditar que termine em nada, acho que é um bom passo esta investigação, mas acho que também temos que ter noção que há muitos grandes devedores que continuam a rir-se como José Berardo se riu na comissão de inquérito e só haverá justiça quando houver uma condenação", afirmou a bloquista numa intervenção, esta terça-feira, no Jornal das 8, na TVI. 

 

Esta detenção é um passo da investigação, não é uma condenação", reforçou.

A Polícia Judiciária e o Ministério Público avançaram esta manhã com uma megaoperação que visava a detenção, com mandado emitido, do empresário madeirense Joe Berardo, por suspeitas de crimes como burla qualificada, fraude fiscal, branqueamento de capitais e administração danosa - pela forma como conseguiu obter, em 2006, empréstimos da Caixa Geral de Depósitos, que em 2015 ainda revelavam uma exposição do banco público à Fundação Berardo na ordem dos 268 milhões de euros em créditos mal parados.

Na ótica de Mariana Mortágua, falta perceber porque é que empresários como Berardo acumulam tanto poder e como é que conseguem chegar a esse nível. 

Não se questiona o enriquecimento rápido, há uma idolatração do sucesso económico rápido e nunca se questiona como nem porquê."

Defende que o Estado e os bancos têm de recuperar aquilo que perderam, uma vez que "quando os bancos dão prejuízo, são os contribuintes que pagam".

A deputada do Bloco do Esquerda entende que o problema reside na relação de "porta giratória" entre o Estado e os interesses privados, da qual "os interesses privados acabaram por se servir do Estado para subir na vida"

José Berardo é um exemplo disso", assegurou. 

Mariana Mortágua foi um dos principais rostos da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos - na qual foi ouvido Joe Berardo - que, nas palavras da própria, "deixou a nu o esquema, o golpe que José Berardo deu para que a coleção deixasse de estar no âmbito da propriedade dos bancos e passasse a estar na propriedade de testas de ferro".

Cláudia Évora