O Bloco de Esquerda classificou hoje o negócio do Novo Banco como “uma venda a preço zero” e vaticinou que, dentro de alguns anos, o Estado será chamado a pagar os custos.

Em declarações aos jornalistas, a deputada Mariana Mortágua desafiou o Governo a debater esta operação no parlamento, dizendo que, se tal não acontecer, o BE avaliará de que forma poderá trazer o tema à Assembleia da República para propor a nacionalização do Novo Banco como a sua alternativa “entre a liquidação e uma má venda”.

Temos de ser muito claros, o que está em causa é uma venda a preço zero: o banco vai ser dado a um fundo americano. O fundo americano vai injetar dinheiro no seu próprio banco, vai-se pagar a si mesmo, e no meio deste processo o Estado assume futuras perdas no banco que vão até 4 mil milhões de euros”, criticou Mariana Mortágua.

Para a deputada do BE, a decisão do Governo “até pode parecer a mais correta no curto prazo, mas o que vai fazer é empurrar os problemas com a barriga para o futuro, para outro Governo, para os contribuintes, daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a seis anos”.

Pelo PCP, também chegaram críticas. O deputado, Miguel Tiago, para de a "utilização dos recursos do Estado para limpar o balanço de um banco e o entregar a um outro grupo económico, sem se conhecer um plano estratégico e as obrigações que adquirente assume sobre o banco e o país".

PS considera venda “solução menos má de todas”

O porta-voz do PS considerou hoje a solução de venda do Novo Banco ao grupo norte-americano Lone Star, anunciada antes pelo Banco de Portugal e pelo Governo socialista, como a "menos má de todas".

Não sendo ideal, não sendo a venda estrondosa que, durante muito tempo, inúmeras figuras garantiam que iria acontecer, foi, pelo menos, o encerramento de um ciclo que tinha riscos para o país. Fazendo as contas, olhando para todas as alternativas, parece-nos ser a solução menos má de todas", disse João Galamba, no parlamento.

Cerca das 18:00, o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, tinha anunciado o negócio. A Lone Star assume 75% do Novo Banco. E Bruxelas aceita que o Estado se mantenha como acionista, com uma posição de 25%, através do Fundo de Resolução.

No caso do Novo Banco, chega agora mais perto do fim um processo que começou a 3 de agosto de 2014. Era domingo e Carlos Costa anunciava uma resolução para o Banco Espírito Santo, que partia o banco de Ricardo Salgado em dois: o “mau” e o “bom”. No primeiro ficavam os ativos tóxicos, como o crédito malparado. O segundo chamar-se-ia Novo Banco e ficaria com a atividade do bano, por assim dizer.