O antigo Presidente da República Jorge Sampaio evocou a memória de Mário Soares, falecido este sábado, lembrando a "resiliência" do antigo chefe de Estado e dizendo que o momento é de "profundo pesar" para Portugal e para a Europa.

Recordando a "extraordinária capacidade de luta" de Soares ao longo da sua vida, Sampaio - que falava aos jornalistas em Lisboa - elogiou Mário Soares por ter estado sempre na "primeira linha" da defesa do país.

Foi preso, exilado, nunca perdeu o seu amor por Portugal. Sempre acreditou naquilo que era o interesse de Portugal e no que era estrategicamente vital para a democracia portuguesa", assinalou. "O mais surpreende è a sua extraordinária capacidade de luta durante 70 anos da sua vida."

O antigo Presidente da República Mário Soares morreu hoje aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Mário Soares esteve sempre na primeira linha. Foi preso, deportado, exilado, nunca perdeu o seu amor por Portugal. Sempre acreditou naquilo que era o interesse de Portugal", recordou Jorge Sampaio. "A nossa modernidade está ligada àquilo que foi a vida, a dedicação e a capacidade de luta que Soares demonstrou."

Sampaio sucedeu a Soares como Presidente da República de Portugal e definiu o antigo chefe de Estado que hoje morreu como a pessoa que "melhor" conseguiu "representar aquilo que era o Portugal moderno" da democracia e liberdade.

Atravessou o Portugal obscuro para corporizar essa ambição extraordinária", assinalou ainda Jorge Sampaio. "Era a pessoa que melhor poderia representar aquilo que é o Portugal moderno."

Mário Soares encontrava-se internado desde o dia 13 de dezembro de 2016, tendo sido transferido no dia 22 do mesmo mês dos Cuidados Intensivos para a "unidade de internamento em regime reservado" do Hospital da Cruz Vermelha, depois de sinais de melhoria do estado de saúde.

No entanto, no dia 24 de dezembro, um agravamento súbito da situação clínica obrigou ao regresso do antigo chefe de Estado à Unidade dos Cuidados Intensivos.

No dia 31 de dezembro, dia da última atualização feita pelo hospital sobre o seu estado de saúde, Mário Soares continuava em "coma profundo", mas "estável e com parâmetros vitais normais".

Mário Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.

Nascido a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.

Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.