Marcelo Rebelo de Sousa lembrou Mário Soares como um "humanista e construtor da Portugalidade", que fez História mesmo quando muitos não o reconheciam. Na sessão solene de homenagem ao antigo Presidente da República, que decorreu esta terça-feira, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o chefe de Estado agradeceu a Mário Soares em nome "de todo o Portugal".

"Em nome de Portugal, de todo o Portugal, obrigado Mário Soares", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República começou a sua intervenção nesta cerimónia de homenagem, assinalando o simbolismo do Mosteiro dos Jerónimos, local onde decorreu a sessão, na História de Portugal. Para Marcelo, este é o lugar que Soares "merecia".

"Este lugar é aquele que Mário Soares merecia para o nosso encontro. Porque nestes Jerónimos se evoca a História que ele estudou antes de a fazer", frisou.

Marcelo destacou o facto de ali estarem unidas personalidade de diferentes quadrantes políticos para um fim "essencial": a homenagem a "um homem que fez História".

"Inspirador um lugar este em que nos encontramos, gentes de várias raízes e destinos, unidas pelo essencial: evocar e homenagear um homem que fez História, sabendo que o fazia mesmo quando muitos de nós recusavamos a reconhecê-lo."

Num discurso em que recordou vários poetas portugueses, de Luís Vaz de Camões a Alexandre O'Neill e Sophia de Mello Breyner, foi Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, que Marcelo citou por considerar que assim foi o "lema de vida" de Mário Soares:

"Para ser grande, sê inteiro/ Nada teu exagera ou exclui/ Sê todo em cada coisa / Põe quanto és no mínimo que fazes."

Marcelo Rebelo de Sousa protagonizou a última intervenção nesta cerimónia de homenagem a Mário Soares, que começou às 13:00 no Mosteiro dos Jerónimos e que contou com 540 convidados, incluindo várias personalidades internacionais, como o presidente do Brasil, Michel Temer, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e o rei Felipe VI.

Antes já tinham discursado os filhos do antigo Presidente da República, Isabel e João, e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues. O primeiro-ministro, que se encontra numa visita de Estado à Índia, deixou uma mensagem gravada em vídeo. 

No início da sessão solene, ouviu-se a gravação do discurso proferido por Mário Soares na cerimónia de assinatura do tratado de adesão à então designada Comunidade Económica Europeia, a 12 de junho de 1985.

Outro dos momentos de grande emoção foi quando a voz de Maria Barroso, esposa de Mário Soares, também já falecida, ecoou nos claustros dos Jerónimos. Nesta gravação, a antiga primeira-dama lê "Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste", da autoria do poeta António Feijó.

Pelo meio, ainda se ouviu "Requiem" de Mozart, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, acompanhada do Coro do Teatro Nacional de São Carlos.

Mário Soares morreu no sábado, em Lisboa, e o Governo decretou três dias de luto nacional, entre segunda e quarta-feira.

As cerimónias fúnebres do antigo Presidente da República, considerado o "pai da democracia", começaram com um cortejo que percorreu as principais artérias da cidade de Lisboa na segunda-feira.

Sofia Santana