O general Ramalho Eanes recordou, este domingo, a importância de Mário Soares na história de Portugal no século XX, considerando que o antigo Presidente da República e primeiro-ministro teve um papel determinante para a consolidação da democracia.

O antigo Presidente da República e antigo primeiro-ministro morreu, este sábado, aos 92 anos.

O também antigo Presidente da República lembrou a "ação política" de Soares contra o regime do Estado Novo, no pós-25 de abril, até à entrada para a União Europeia.

A ação política de [Mário Soares] foi num primeiro tempo desenvolvida em defesa das liberdades e da democracia contra o regime salazarista. [Seguiu-se] o combate político, no segundo tempo, o de abril, [que] foi ainda um combate político pelas liberdades e pela democracia na tumultosa transição democrática e, depois, um combate político democrático já na institucionalização e consolidação da democracia. Ação de relevo, de principal importância, teve ainda na consolidação da democracia ao desenvolver uma ação política que nos permitiu entrar na então Comunidade Económica Europeia (CEE, hoje UE)."

Por estes motivos, afirmou Eanes, Mário Soares tem "direito ao reconhecimento da pátria" e um lugar relevante na história de Portugal.

Creio que por tudo isto, pela ação de combate político determinado que desenvolveu em prol das liberdades e democracia, primeiro, e, depois, da consolidação de uma democracia moderna constitucional pluralista, Mário Soares tem o direito ao reconhecimento da pátria e tem, obviamente, o direito a ocupar um lugar de grande relevância na história do nosso país.”