Mário Soares reforçou, esta quarta-feira, o seu apoio inequívoco a José Sócrates durante o programa «Cartas na Mesa» do TVI24 e confessou que está satisfeito por ter perdido as eleições presidenciais.

«Eu nem gostava muito do engenheiro Sócrates, porque o conhecia mal. Quando o conheci fui para aquilo [candidatura] porque combinámos isso - e ainda bem que perdi as eleições porque me tiraram um peso de cima», disse ( vídeo).

O XVI Congresso Nacional do PS, realizado no último fim-de-semana, foi o pretexto para acusar os que estão «contra Sócrates, por razões corporativas ou partidárias», sendo a comunicação social o grande alvo de Soares ( vídeo).

«Não é a primeira vez que em véspera de eleições há alguma unanimidade no partido. A votação quase parecia de um país de leste, mas isso não quer dizer nada. As televisões é que só se interessaram por coisas desagradáveis para o PS, mas saíram desiludidas. Estavam à espera de uma peixeirada do Manuel Alegre, mas ele não foi e não a fez, ainda bem», continuou ( vídeo).

O ex-governante considerou que «todos os órgãos [de comunicação social] são contra o líder do PS» e que, naquele momento, «o partido não estava ali para o confronto de ideias», mas sim para «o arranque da campanha eleitoral».

«Um congresso para preparar eleições tem de ser com pessoas que querem que o partido ganhe, que não querem arranjar problemas ao partido, pelo menos publicamente», afirmou ( vídeo).

Mário Soares abordou também o caso Freeport para voltar a criticar os jornalistas e não só: «Sócrates está a ser permanentemente atacado por toda a oposição, à esquerda e à direita. A partir de fugas de informação, tentou fazer-se um julgamento na praça pública que eu detesto. Os jornalistas estão de peito feito para arranjar sarilhos.»

«Gostava que o PS e o Bloco se entendessem»

Questionado acerca de episódios como o da censura no Carnaval de Torres Vedras, Soares definiu estes casos como «fait-divers sem a mínima importância», acrescentando que «as pessoas do Governo são democratas com provas dadas».

Sobre uma eventual reorganização da esquerda portuguesa, Mário Soares apontou o dedo ao Bloco de Esquerda. «Pensava que o BE se iria encaminhar para entrar no PS, até porque tem líderes de grande categoria, como Francisco Louçã. Mas têm ali uns complexos que não conseguiram ultrapassar: uma corrente trotskista, outra maoísta. Mas gostaria que eles se entendessem e era uma boa altura para isso. Convergência com Manuel Alegre? Isso só serve para atrapalhar os partidos», disse.

«Esta crise vai obrigar à esquerdização do mundo. O socialismo democrático é a única solução. Se houvesse democracia-cristã ou verdes sérios, também poderiam ser alternativa. O PCP quando pensa que há dificuldades mete-se num bunker», analisou.

«BPN e BPP são casos de polícia»

A nacionalização do BPN também foi discutida por Mário Soares. «Há um arguido que está preso, mas temos a impressão que há muitos outros», criticou, defendendo Dias Loureiro no que diz respeito à comunicação social: «Ele ainda não é arguido, embora tenha caído em contradições no Parlamento.»

«Este e o BPP são casos de polícia e de justiça, que se não prender culpados fica completamente desprestigiada. Por que se deu o dinheiro, quanto se deu, como foi distribuído? Têm de nos explicar isso. E no Banco de Portugal também dá a impressão que houve algumas falhas», afirmou.