Era o seu "tiozinho", ele o sobrinho "mais independente". Eduardo Barroso é, provavelmente, o sobrinho mais conhecido de Mário Soares. Contou no Jornal das 8 da TVI algumas histórias que viveram os dois e falou também sobre os 26 dias de internamento do antigo Presidente da República no Hospital da Cruz Vermelha, onde veio a falecer este sábado, aos 92 anos, por falência dos órgãos vitais.

Não houve polémica nenhuma. Houve uma terapêutica correta, de suporte, não o fazendo sofrer, deixando a natureza agir".

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Disse que, desde que perdeu o acompanhamento do seu médico assistente, que o tratou durante 30 e tal anos, Mário Soares foi piorando.

"Isto já muito anterior a esta crise, o tio já não estava muito bem só lhe lembro quando foi o Marcelo [Rebelo de Sousa] lá quis ir dar um abraço e cumprimentá-lo depois da posse, o tio começou a bater por não me conhecer a mim"

Depois, "lá conseguíamos que ele recuperasse, mas já não estava na posse de todas as suas capacidades intelectuais que fizeram dele um homem estimulante a todos os níveis, até como tio".

"Deu mais uma prova de um lutador"

Na Cruz Vermelha, "o que foi feito foi muito bem feito em termos clínicos e em combinação com a família". "Foi decidido eticamente, dado o estado em que estava, que devolvê-lo ao que estava anteriormente era um objetivo que não fazia sentido". Caso precisasse de suporte ventilatório ou de vida ou precisasse de diálise "não faria sentido", pormenorizou. Ele estava já "muito diminuído e cansado".

Só que o homem, o tio, deu mais uma prova de um lutador, porque de facto os órgãos vitais (ele respirava perfeitamente, o rim funcionava perfeitamente) tiveram estes dias todos a funcionar, até ontem, dia de uma ligeira piora"

Frisando que a sua família é "muito unida", contou ainda como era a sua relação com o tio Mário Soares. "Ele gostava que eu o tratasse por tiozinho".

"Eu perco um tiozinho, muito crítico comigo, como sempre (...). Era uma pessoa especial, a seguir ao 25 de Abril eu tive um desvio do sobrinho mais esquerdista, fui do MES [Movimento Esquerda Socialista] e aquilo naquela altura era terrível. Era considerado um perigoso esquerdista. Ele estava-se nas tintas que eu fosse daqui ou dali. Nunca me disse que tinha nascido incendiário tardiamente e acabava bombeiro, mas insinuou. Era um homem tolerante", contou.

Eduardo Barroso frisou ainda que a sua relação com Mário Soares era apenas familiar. "Nunca tivemos uma relação política, nunca lhe fiz um pedido", nem quando foi primeiro-ministro, nem quando esteve à frente do mais alto cargo da nação.