A ministra da Saúde admitiu, esta quarta-feira, que existem cerca de 900 mil portugueses sem médico de família e que a situação se agravou no mês de abril com a pandemia de covid-19. O deputado António Maló de Abreu (PSD) falou em mais 865 mil utentes, mas Marta Temido esclareceu que esse valor era referente ao mês de março. 

Nesse sentido, a ministra admitiu, na Comissão de Saúde, que se realiza esta quarta-feira na Assembleia da República, que Portugal tem: "um número de portugueses sem médico de família superior àquele que gostaríamos de ter”.

Relembrou que a pandemia de covid-19 veio "agravar a situação", mas que o compromisso é o mesmo de sempre, "trabalhar para inverter a tendência”. 

A situação agravou-se em abril porque se continuam a verificar – e eram previstas – aposentações. Só este ano aconteceram mais de 100 aposentações de especialistas de medicina geral e familiar, mas, por outro lado, temos também mais 59 mil inscritos nos cuidados de saúde primários só neste quadrimestre. Muitos utentes cuja inscrição estava inativa, porque não eram utilizadores e reativaram a sua inscrição com a procura de cuidados de saúde e de vacinação”, explicou. 

O deputado António Maló de Abreu, citando António Costa em 2016, lembrou que a política "é feita de promessas, mas de promessas para cumprir”, ao que Marta Temido respondeu: 

A política é feita de compromissos e aquilo que o Governo de Portugal assume é o seu esforço no sentido da contratação de todos os recém especialistas em medicina geral e familiar que se formam no país e que queiram ficar no SNS”.

O social-democrata pegou numa declaração do atual primeiro-ministro, feita em 2016, na qual disse que no ano seguinte, 2017, todos os portugueses iram ter um médico de família.

Mais médicos de família até ao final de junho

A ministra salientou ainda, em relação aos cuidados de saúde primários (CSP), que até ao final de junho serão colocados “recém-especialistas em medicina geral e familiar que se apresentaram a exame em abril e que são indispensáveis para melhorar a cobertura” das equipas de saúde, nas quais garantiu também estar em curso a contratação de enfermeiros.

Em sentido inverso, aproveitou para apresentar a recuperação com “números muito significativos” dos CSP em termos de consultas nos primeiros quatro meses deste ano, nomeadamente o crescimento de 24% das consultas médicas, 51% das consultas de enfermagem e 26% de consultas de outros técnicos de saúde face ao mesmo período de 2020.

Segundo a ministra, registou-se ainda uma “recuperação da atividade de rastreio”, com um “aumento da cobertura geográfica das unidades funcionais”.

Quanto à recuperação da atividade de rastreios, houve um aumento do número de pessoas convidadas e rastreadas em todas as linhas, desde o cancro da mama, colo do útero e do cólon e reto. E, neste quadrimestre, com um aumento da cobertura geográfica, com um aumento das unidades funcionais com estes rastreios, respetivamente mais 4, 16 e 63 centros de saúde onde estes rastreios já estão implementados”, notou.

Quanto aos cuidados em ambiente hospitalar, Marta Temido realçou o aumento de 12% nas consultas de especialidade e de 22% nas cirurgias nos primeiros quatro meses de 2021, enaltecendo a importância do incentivo extraordinário, que “permitiu, com dados a abril, realizar mais de 82 mil consultas e 30 mil cirurgias”.

A ministra assinalou também que na área da oncologia, “a lista de inscritos para cirurgia acima do tempo máximo de resposta garantido foi reduzida neste quadrimestre” em cerca de 5%, apesar de sublinhar que foram operados durante o primeiro trimestre deste ano 68% das pessoas que se encontravam inscritas nas listas em dezembro de 2020.

Cláudia Évora / com Lusa - notícia atualizada às 12:49