A ministra da Saúde admitiu, esta sexta-feira, que ainda não existem números fechados relativamente à quantidade de doses de vacinas contra a covid-19 que Portugal vai receber, mas lembrou que "não interessa sermos os primeiros"

Não nos interessa apenas ser os primeiros a ter as vacinas, interessa-nos ter vacinas de qualidade, seguras e efetivas", assegurou Marta Temido, na conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país. 

Lembrou que existe um trabalho a ser feito entre o Governo, as empresas que fabricam as vacinas, a Agência Europeia do Medicamento e a Comissão Europeia, mas que, para já, só existem estimativas. 

Marta Temido referiu ainda que o principal desafio desta primeira fase de vacinação, vai ser gerir a escassez de vacinas, "porque sabemos desde há longos meses que, mesmo que tivéssemos uma vacina disponível, ela seria sempre, num primeiro momento, escassa"

Nesse sentido, a população tem que “ser paciente” e sobretudo perceber que há passos que não podem ser subestimados nem desvalorizados, designadamente as reuniões técnicas de Agência Europeia do Medicamento que se vão realizar este mês e em janeiro para garantir que todas as vacinas serão “seguras, eficazes e de qualidade”.

Questionada sobre se já existe uma data específica para se iniciar o processo de vacinação, a governante, na mesma linha de António Costa, apontou para a primeira semana de janeiro.

Está a ser feita toda uma preparação para que todas as vacinas sejam administradas nesses primeiros dias de janeiro", afirmou. 

Recorde-se que o primeiro-ministro defendeu, esta sexta-feira, que o plano de vacinação contra a covid-19 na União Europeia deve arrancar no mesmo dia para todos os estados-membros, de modo a atingir-se uma imunidade de grupo “à escala da UE”, e considerou 5 de janeiro como um "excelente dia" para se iniciar esse processo

Reforço nos centros de saúde? 

Os centros de saúde da rede do Serviço Nacional de Saúde vão ser utilizados para a vacinação contra a covid-19. Marta Temido que o Governo e as autoridades de saúde estão a trabalhar nas orientações, mas que existem profissionais "habilitados, preparados e treinados" para este tipo de processos.

Questionada estas estruturas iriam ser reforçadas com recursos humanos, a ministra admitiu um reforço não só de profissionais próprios, mas também de profissionais de outros setores e até voluntários.

Se tudo correr como planeado e se tudo correr bem, seguir-se-á um momento em que teremos uma muito maior quantidade de doses de vacinas e aí o desafio será o da celeridade da administração e de uma vacinação mais massiva”, declarou.

Voto antecipado para as eleições presidenciais de 2021

A ministra da Saúde disse que ainda não está delineada de que forma é que as pessoas que estiverem em confinamento obrigatório em janeiro, poderão votar antecipadamente para as eleições presidenciais, agendadas para dia 24 desse mês. 

Ainda assim, assegurou que essa situação tem sido debatida num grupo de trabalho, no sentido de garantir as pessoas possam exercer o direito ao voto.

Portugal contabilizou esta sexta-feira 95 mortes por covid-19, o que representa um novo máximo, e ainda 5.080 novos casos de infeção.

A taxa de incidência situa-se nos 529,3 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, o que, segundo a ministra da Saúde, continua a ser preocupante embora próximo de valores mais controláveis.

Destacou uma especial preocupação com alguns concelhos do país, nomeadamente na área da Administração Regional de Saúde do Norte que tem uma taxa de incidência de 802 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

A ministra fez ainda referência ao Risco Efetivo de Transmissão (RT) verificado atualmente em Portugal revelando que se situa em 0,97, ligeiramente abaixo do 1, mas que considera ser necessário descer ainda mais e manter de uma forma sustentada.

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 16:14