A ministra da Saúde realçou esta segunda-feira que o Governo admite que há vários cenários possíveis para o desconfinamento, apontando o ensino como o setor prioritário.

É coerente que se pense que num processo de reversão se inicie pelo ensino”, diz Marta Temido, lembrando que foram as escolas as primeiras a encerrar.

Segundo a ministra, temos de melhorar a resposta em outras áreas e apostar no processo de vacinação. "A saúde está em todas as políticas, mas, independentemente de o desconfinamento estar a ser discutido, este ainda não é o momento”, destaca, sublinhando que não podemos “passar de um extremo para o outro”.

No final da reunião no Infarmed, Marta Temido assumiu que este "ainda não é o momento de falar de tempos e de modos. Lá chegaremos”.

Tendo o Governo referido várias vezes que o último encerramento que desejaria ter feito era o das atividade escolares, é coerente que um processo de reversão se inicie pelas atividades escolares”, salienta a ministra, sublinhando o número elevado de internamentos por covid-19: “ Temos, neste momento, internados em cuidados intensivos por Covid o número de doentes que devíamos ter em não-Covid”.

Marta Temido reforçou que o índice de transmissibilidade é o mais baixo da Europa. No entanto e apesar da redução, ainda está a um nível demasiado elevado. A ministra salienta também que o índice de mobilidade aumentou ligeiramente na última semana.

Este é um aspeto que deve suscitar atenção, na medida em que sabemos que os valores a que chegámos são valores que resultam de um esforço e, se esse esforço se inverter, voltaremos a atingir números de incidência e números de risco de transmissão que não são compatíveis com o que precisamos de garantir", afirma.

Questionada sobre a diminuição do número de testes realizados no mês de fevereiro, a ministra afirma que Portugal ocupa a sétima posição no ranking de países que mais testa. "Fevereiro foi o terceiro melhor desde o início da pandemia".

A diminuição no número de testes pode ser explicada pelo enquadramento: "Há a tendência para que a diminuição de casos se traduza na diminuição de testes”, afirma.

A governante afirmou ainda que os testes PCR através da saliva são uma opção válida e a DGS e o Instituto Nacional Ricardo Jorge estão a ultimar os detalhes para que esta possibilidade avance. "Esta solução já existe no mercado e é reconhecida pelo Infarmed".

Esta estratégia está a ser preparada e provavelmente entrará em vigor nos próximos dias.

Sobre o processo de vacinação, Marta Temido afirma que está a ser trabalhada uma orientação sobre a inoculação em farmácias comunitárias, ainda que a escassez de vacinas e o próprio armazenamento adiem esta possibilidade.

Marta Temido afirma que “tudo será feito” para chegar à imunidade de grupo no final do verão, realçando o objetivo de ter 70% da população vacinada.

"Vamos avaliando e partilhando com a população”, sustenta, adicionando que os peritos concordam que haja a definição de critérios objetivos para o controlo da pandemia.