A ministra da Saúde admitiu que tem havido uma "estratégia de terra queimada" face ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e considerou-a até "desleal" para com as populações.

Marta Temido assumiu que vai acontecendo "uma estratégia de terra queimada e até desleal para com as populações", em termos de informação, facto que causa perturbação e uma sensação de desconfiança que não é real.

A governante, que falava à margem da inauguração das obras de requalificação do centro de saúde da Sertã, no distrito de Castelo Branco, disse que não está no Governo para lutas.

Não estou cá para lutas. Estou cá para trabalhar em nome dos interesses dos utentes do SNS e os portugueses não me perdoavam se perdesse tempo em discussões mais ou menos inúteis relativamente a quem é que tem o ego maior. Estou cá para trabalhar", frisou.

A ministra reconheceu que o SNS tem muitos problemas e que tem aspetos que é preciso melhorar.

Depende depois de cada um de nós, o querer concentrar-se naquilo que corre mal ou naquilo que corre bem. Penso que temos que ser realistas, resolver aquilo que corre mal, mas não dizer que está tudo perdido", sublinhou.

Sem se referir diretamente a qualquer campanha contra o SNS, Marta Temido realçou que à ministra, cabe-lhe trabalhar, não lhe cabe ser comentadora política nem fazer esse tipo de análise: "Há uma coisa que podem ter a certeza é que não me vou distrair".

Ministra quer dotar MAC de quadro permanente de anestesistas

A ministra da Saúde afirmou que não vai desistir de dotar a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, de um quadro permanente de anestesistas e de resolver as falhas que se verificam.

Não vamos desistir de duas coisas. Por um lado, de resolver as falhas [existentes na MAC] e por outro lado, de dotar a MAC de um quadro permanente de anestesistas e, por último, de rever toda a assistência ginecológica e obstétrica na zona de Lisboa", afirmou Marta Temido na Sertã, distrito de Castelo Branco.

A governante explicou que aquilo que sabe é que hoje havia dificuldades com a programação de cirurgias na MAC, em função de não estar assegurada a escala de prestação de serviços de anestesiologia.

Também sabemos que o Conselho de Administração [da maternidade] tinha hoje várias diligências que poderiam terminar no final do dia com esse problema resolvido. Espero que aquilo que foi noticiado recentemente, que era o cancelamento de intervenções cirúrgicas programadas na MAC por falta de anestesias, seja resolvido ou pelo menos atenuado", sustentou.

Marta Temido realçou que se está num período crítico e que situações destas são recorrentes na MAC, pois têm na sua origem o desmantelamento do quadro de anestesistas quando se pensou que a MAC iria encerrar.

Desde então [a MAC] tem vivido de prestadores de serviços. E essas escalas são mais difíceis. Tivemos essa situação no Natal e estamos a ter neste verão", concluiu.

“Assimetria muito grande” na distribuição de médicos

A ministra da Saúde afirmou que continua a haver no país uma assimetria muito grande na distribuição de médicos e admitiu que a questão é "bastante complexa".

A questão é bastante complexa. Continuamos a ter uma assimetria muito grande na distribuição de médicos no país. A Unidade Local de saúde de Castelo Branco e a do Baixo Alentejo são dois casos que perderam médicos desde o início da legislatura", afirmou.

Isto só poderá ser resolvido quando conseguirmos agregar várias políticas de natureza diferente. Por um lado, continuar o esforço de abrir vagas nestas áreas e atribuir incentivos às vagas destas áreas. E, por outro lado, equacionar novos regimes de trabalho no SNS e isso tem-se falado muito nos tempos mais recentes", defendeu.