A ministra da Saúde, Marta Temido, reconheceu que o processo negocial sobre a carreira dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica está “longe de ser concluído”.

Os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica estão a realizar desde o passado dia 5 uma greve em dias intercalados, que se prolonga até ao final do ano, em defesa da revisão e regulamentação da sua carreira, para que seja “reposta a igualdade de tratamento com outras carreiras”.

Os sindicatos que representam estes profissionais tiveram uma reunião na segunda-feira, no Ministério da Saúde, em que lhes foi apresentada uma nova proposta que, segundo as estruturas sindicais, “traz alguns reajustes em posições salariais, contudo muito longe dos objetivos traçados” pelos sindicatos.

Esta quarta-feira, Marta Temido afirmou na comissão parlamentar de Saúde, onde está a ser ouvida, que o Governo tentou “aproximar as suas possibilidades daquilo que são as reivindicações” dos profissionais de saúde.

“Todos os sindicatos reconheceram que aquilo que fizemos representava uma melhoria face à última posição que lhes tinha sido apresentada, o que poderá haver dúvida e descoincidência de posição é sobre se esta melhoria é suficiente para aquilo que eram as expectativas ou não”, disse a ministra.

Segundo Marta Temido, o Governo procurou na proposta que apresentou “não só aumentar os ressaltos entre os níveis remuneratórios da categoria de base” como acautelar a abertura de concurso para a categoria superior do ano de 2019.

A transição da “velha carreira de 1999” para “a nova carreira confere, por si só, um melhor posicionamento remuneratório para quem está na base da carreira e tem impacto financeiro porque transfere estes profissionais para uma remuneração base de 1.248 euros e a nível com os restantes profissionais com iguais habilitações académicas”, explicou.

“Podemos dizer que seria mais interessante para alguns que fossem outras categorias a serem posicionadas, mas acreditamos que devemos começar por aqueles que estão mais discriminados negativamente”, disse Marta Temido.

"Foi isso que procuramos acautelar sem prejuízo do caminho" que "é necessário continuar a prosseguir e que está longe de ser concluído”, sustentou

“Não negamos que há dificuldades, não negamos que o Serviço Nacional de Saúde não está ainda como gostaríamos de o deixar, mas é para isso que continuamos todos os dias a trabalhar e confiamos que isso vai ser um resultado possível”, frisou.

Relativamente à greve dos enfermeiros, a ministra sublinhou que é “um exercício de um direito que se não for recebido da parte de que se confronta com ele, com muita capacidade de diálogo, pode converter-se numa situação extremada”.

“Desde o início da legislatura temos trabalhado com todos os grupos profissionais”, afirmou Marta Temido.

A ministra explicou que desde o início do ano que os enfermeiros que têm o título de especialista (uma das seis especialidades) e que estão a desempenhar funções a esse nível recebem um subsídio de 150 euros, uma situação que abrange 9.400 enfermeiros e que envolve uma despesa 17 milhões de euros

A proposta do Governo é transformar este suplemento num elemento da remuneração, mas, afirmou, os enfermeiros querem que seja transformado numa categoria.

Sobre a criação de uma categoria, o Governo tem mostrado reservas. Marta Temido defendeu, por exemplo, que um enfermeiro que seja de especialidade materna e obstétrica, mas que opte por trabalhar para o Instituto Gama Pinto, na oftalmologia, não deve continuar a receber o suplemento.

/ AM