O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmou esta quinta-feira que a pandemia deu mais razões para acelerar a transição climática e que é fundamental que os Governos passem “o sinal certo” aos investidores.

Nestes tempos de pandemia, a recuperação é o maior objetivo a nível global e deve ser atingida em linha com as metas ambientais e climáticas. […] A pandemia de covid-19 deu razões adicionais para acelerar esta transição”, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, que falava no seminário empresarial Portugal-África "Exportar 'Verde' - Internacionalização das empresas na era da sustentabilidade", organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela aicep Portugal Global - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE).

O governante sublinhou que África é particularmente afetada pelos efeitos das alterações climáticas e, para mitigar os seus efeitos naquela zona do globo, há contributos a dar por parte das empresas.

No entanto, o ministro do Ambiente sublinhou que é necessário que os Governos deem o “sinal certo” para promover o investimento dos privados na transição climática e digital.

A recuperação desta crise global também deve assentar na solidariedade internacional”, sublinhou Matos Fernandes, acrescentando que a UE deve estar pronta a apoiar os seus parceiros globais, no sentido de promover uma transição digital verde e a construção de sociedades mais inclusivas.

Por sua vez, o secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, destacou o papel das ‘smart cities’ (cidades inteligentes) no processo de transição climática.

A energia tem um papel importante na criação de ‘smart cities’”, salientou o secretário de Estado, defendendo que as cidades “devem tornar-se um alvo de recuperação na situação de pandemia”.

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, foi também um dos participantes no seminário, deixando uma mensagem de apoio às parcerias entre União Europeia e África.

A África e a Europa são parceiros estratégicos naturais”, lembrou o responsável, que recordou os efeitos disruptivos que a pandemia está a provocar naquele continente, com 40 milhões de pessoas a serem empurradas para a pobreza extrema e a provocar o retrocesso de, pelo menos, cinco anos nos progressos que tinham sido conseguidos na luta contra a pobreza.

O também vice-presidente da Business Europe defendeu que a energia ‘verde’ é crucial para a criação de “mais e melhor emprego para os milhões de africanos que entram no mercado laboral todos os anos”.

António Saraiva ressalvou, porém, que “devem ser tomadas as medidas adequadas, para que o setor privado possa investir”.

A CIP defende um forte enfoque nos países menos desenvolvidos, enquanto são ajudados no sentido de se comprometerem com convenções internacionais. […] A CIP vai continuar a apoiar a promoção da parceria Europa-África”, concluiu.

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