«Irrelevante e casuística». Foi desta forma que o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, classificou a descida do IVA de 21 para 20 por cento, anunciada pelo Governo esta quarta-feira e que entra em vigor no dia 1 de Julho.

Em conferência de imprensa, o líder social-democratas disse ainda que a diminuição desta taxa é reflexo de quem «não tem estratégia para o Governo» e está «desfasado da realidade do país», indo «a reboque de uma contestação social alargada».

«Esta medida é irrelevante e casuística e só vem confirmar o que todos sabemos, que este país está sem rumo», apontou Menezes.

O presidente do PSD disse ainda que o Governo socialista «cobrou a mais a cada português cerca de 550 euros em impostos». «Com esta medida, que hoje anunciou, restitui a cada cidadão cerca de 20 euros, o que significa que está em deficit de ressarcimento da cidadania em termos individuais na ordem dos 520 euros», acrescentou.

A medida agora divulgada «não tem nenhum impacto sério na economia portuguesa», disse Menezes. «Não nos é apresentada como uma baixa de impostos substantiva e sustentada», frisou.

«Visão desfocada e pouco séria da economia»

O líder partidário descreveu depois «a situação de Portugal» no contexto europeu. «Era bom que, em paralelo com este anúncio, o primeiro-ministro reconhece-se que temos o 3º desemprego mais alto da Europa, o 26º crescimento económico mais reduzido, o 20º poder de compra mais baixo, a 22ª mais baixa taxa de produtividade, que o endividamento público está ainda cinco pontos percentuais acima do que foi herdado em 2004 e 2005 pelo primeiro-ministro, e que o endividamento das famílias atinge 130 por cento do rendimento disponível».

«Esta é a realidade do país, que o primeiro-ministro tenta esconder, com esta visão desfocada e pouco séria da economia portuguesa», afirmou.

Menezes disse que o seu partido pretende, por outro lado, traçar políticas no sentido de uma «verdadeira liberdade da economia», de um «desenvolvimento sério e sustentado» e tendo em conta «a solidariedade» como «uma preocupação permanente».

«Sinais contraditórios»

O líder social-democrata visou ainda nas suas críticas o ministro Fernando Teixeira dos Santos. «Ontem mesmo, o senhor ministro das finanças, numa entrevista ao Diário Económico afirmava: "Baixar os impostos com base na recente descida do défice pode por em causa o equilíbrio das contas públicas"».

«Estes sinais contraditórios afirmados pelos principais responsáveis pela política económica passam para os agentes económicos um sinal de volatilidade das decisões políticas. Ninguém vai sentir-se mobilizado com esta medida, que aparece no meio de hesitações», considerou.
Portugal Diário / HB