O CDS afirmou esta terça-feira ser "a única alternativa" ao Governo do PS, acusando-o de fazer os portugueses pagarem demasiados impostos para a qualidade de serviços públicos como a saúde ou os transportes.

Nós neste momento temos impostos máximos para serviços mínimos e é por isso que o CDS se apresenta hoje como a única alternativa ao PS", disse o membro da comissão executiva democrata-cristã Pedro Mota Soares à agência Lusa.

Mota Soares reagia à mensagem de Natal do primeiro-ministro, António Costa, que considerou que Portugal virou a página dos anos mais difíceis e está agora melhor, mas tem ainda muito trabalho pela frente, tendo de vencer "grandes desafios" como a demografia e a valorização do território.

Temos um primeiro-ministro que fala da demografia, do interior de Portugal, das empresas e da economia", mas que chumbou propostas do CDS-PP no parlamento para apoiar o investimento, baixar os impostos de quem trabalha no interior e às empresas que criam emprego, salientou.

Além disso, apontou, o Governo de António Costa "fez as maiores cativações e apresentou os piores serviços públicos, quer nos transportes, na saúde, até na segurança dos portugueses".

É responsável pela maior carga fiscal de sempre, a começar pela gasolina e pelo gasóleo", indicou.

PCP fala em discurso em contradição com ação do Governo

O PCP revê-se numa parte do discurso de Natal do primeiro ministro, mas considera que há uma “contradição inequívoca” entre o que António Costa diz ser o caminho e a intervenção do Governo, “que vai em sentido oposto”.

Num comentário à Lusa o dirigente comunista Jorge Pires disse que o PCP registou no discurso a questão do respeito pelos direitos, a melhoria das condições de vida e dos rendimentos, um caminho “associado ao papel e influência do PCP” e que desmente os que defendiam que poria em causa o crescimento económico e aumentaria o desemprego.

No entanto, nas palavras de Jorge Pires, há uma contradição entre o que o primeiro-ministro diz e pensa ser o caminho a continuar no próximo ano, e o que o Governo faz, “que vai no sentido oposto do que ele acha que deve ser o caminho para melhorar as condições de vida, aumentar o crescimento económico” ou repor direitos e rendimentos.

Tal é visível, disse Jorge Pires, em relação aos direitos dos trabalhadores, com o Governo a associar-se “ao grande patronato e fazer aprovar legislação laboral que vai exatamente ao contrário daquilo que é a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores”.

Também na melhoria das condições de vida dos portugueses se verifica, nas palavras do dirigente do PCP, há uma intervenção do Estado no sentido de reduzir responsabilidades nos serviços públicos, em áreas como os transportes, saúde ou a cultura.

As paralisações nos últimos dias no setor dos transportes têm a ver com essa falta de investimentos, exemplificou.

Pela sua parte, o PCP, garantiu Jorge Pires, vai continuar a intervir para responder aos problemas do país e vai “aproveitar todas as oportunidades para continuar a recuperar rendimentos e direitos”.

Análise sobre desafios é correta, mas é preciso retirar consequências, diz BE

O BE considerou que a análise do primeiro-ministro na mensagem de Natal "é correta", mas pediu que sejam retiradas consequências, avisando que "não é bom repetir em 2018 uma frase da direita de 2014" sobre o risco de retrocesso.

Entendemos que se devem retirar consequências de uma análise correta de dizer que há muitas coisas que precisam de ser melhoradas. Nós estamos de acordo em relação a essas questões que têm que ser melhoradas, mas as consequências têm que vir daí", defendeu a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, em declarações aos jornalistas na sede do BE, em Lisboa, numa reação à mensagem de Natal do primeiro-ministro.

Marisa Matias destacou que o primeiro-ministro "falou de risco de retrocesso" e deixou um aviso: "não é bom repetir em 2018 uma frase da direita de 2014".

O risco de retrocesso que nós enfrentamos é o não crescimento e descorar as políticas públicas. Isso é o verdadeiro risco de retrocesso e por isso, nesse sentido, creio que não podemos, de maneira nenhuma, voltar a soluções que se provaram erradas e que justificaram na altura os cortes permanentes", alertou.

Sobre os "enormes problemas" que Portugal ainda tem pela frente, apontados pelo primeiro-ministro, a eurodeputada do BE lembrou que o partido tem "falado várias vezes em relação" aos mesmos, lamentando que António Costa não retire consequências "na sua totalidade".

Desde logo não tivemos ainda uma rutura com as políticas de favorecimento do sistema financeiro e basta pensarmos no que tivemos nos últimos anos em relação ao Banif, ao Novo Banco, ao peso dos juros da dívida na nossa economia", criticou.

Por outro lado, segundo Marisa Matias, há "também a questão da obsessão com as metas do défice de Bruxelas".

Eu creio que é positivo ter o défice baixo, toda a gente se preocupa com a consolidação das contas públicas, mas a verdade é que esta obsessão para ir para além das metas que são estabelecidas é aquela que nos deixa com um défice muito mais preocupante e que nos retira muito mais ao desenvolvimento da nossa sociedade que é o défice social", observou.

O défice social é a "verdadeira preocupação" do BE.

De cada vez que se procura ficar além das metas o que estamos a fazer é desinvestir no nosso país, é não combater com todos os meios a pobreza que ainda existe em Portugal, é não investir no Serviço Nacional de Saúde, é não dar resposta aos cuidadores e cuidadoras informais que não têm ainda nenhuma resposta, é continuarmos a ter políticas que não promovem, por exemplo, a verdadeira coesão territorial, do que o primeiro-ministro falou", lamentou.

A dirigente bloquista quis ainda juntar um terceiro desafio àqueles "que foram elencados pelo primeiro-ministro", ou seja, "uma estratégia para as alterações climáticas".

Nós não nos iludimos com os números também e não nos iludimos com aquilo que têm sido as políticas sistemáticas de favorecimento do setor financeiro. As nossas preocupações são outras", respondeu ainda Marisa Matias aos jornalistas.