O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, declarou que perspetiva uma “guerra até às regionais” com o executivo da República e criticou o silêncio dos que se “querem abalançar ao poder regional”.

“Penso que vamos ter guerra até às regionais porque a ideia do Governo [nacional] é manter essa discriminação” em relação aos madeirenses, disse o chefe do executivo insular, em Machico, à margem de uma cerimónia de entrega de três ambulâncias para transporte de doentes não urgentes.

O governante social-democrata do arquipélago complementou que “esta não é uma guerra nenhuma, é uma constatação”.

Miguel Albuquerque insistiu que a sua “obrigação é defender os cidadãos da Região Autónoma da Madeira e exigir um tratamento equitativo, justo, entre os cidadãos da região e todos os restantes portugueses”.

“O que a gente reclama não é nada de extraordinário”, sustentou exemplificando com três das reivindicações que o Governo Regional tem feito à República.

O responsável considerou não “fazer nenhum sentido” que o Estado português esteja a pagar uma taxa de juro de 2,5% pelos empréstimos contraídos junto de instituições internacionais e exija à Madeira 3,75% pelo montante emprestado no âmbito do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro à região.

“O Estado, que somos todos nós, está a ganhar dinheiro num absurdo à custa dos madeirenses”, afirmou.

Outra das reivindicações do executivo da Madeira está relacionado com a mobilidade, sendo exigido que o Estado cumpra os princípios da continuidade territorial e da coesão, salientou.

“Portanto, porque é que estamos aqui a ser discriminados neste aspeto?”, questionou, reforçando que “é uma exigência que consta do que está na Constituição, não é nada de extraordinário”.

Miguel Albuquerque também criticou o facto de os elementos do Governo nacional terem vindo “prometer aquando dos incêndios em 2016 que iam mandar verbas para a reconstrução”, havendo um compromisso de “30,5 ME e até agora o dinheiro não veio”.

Por isso, vincou que o que as suas exigências “não são nadas de extraordinárias”.

“Tenho um problema que é a circunstância de haver pessoas aí que se querem abalançar ao poder regional e estão calados, amordaçados, estão submetidos de facto ao politicamente correto e não abrem o bico relativamente a estas questões”, sustentou.

Na sua opinião, adotam esta postura “por razões de conveniência e de conforto político”.

“Eu não estou aqui para ser simpático com o Governo de Lisboa. Estou aqui para exigir aquilo que os madeirenses têm direito”, atestou.

Questionado pelos jornalistas pelo facto de ser considerado um dos homens mais ricos do país numa publicação nacional, respondeu: “Tudo o que tenho e a minha família está declarado no Tribunal constitucional”.

Albuquerque concluiu citando uma das máximas da sua avó: “não é importante aquilo que se tem, mas aquilo que somos”.