A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) esteve esta segunda-feira no Jornal das 8, da TVI, depois de um dia em que esteve reunida com o primeiro-ministro, onde foram discutidas as medidas de relançamento da economia e o apoio do Estado aos trabalhadores e às empresas.

Relativamente à atual situação da TAP, Catarina Martins foi taxativa, afirmando que a “TAP deve ser nacionalizada”, antes de referir que “não podemos ficar sem uma companhia aérea nacional”.

Como vamos precisar dela e vamos ter de a pagar, o que deve dirigir as questões na TAP deve ser o interesse público”, apontou.

A líder do Bloco de Esquerda afirma que, caso a empresa venha a ser nacionalizada, a gestão deve ser democrática, dando depois aquilo que considera serem os maus exemplos das privatizações dos CTT e do Novo Banco.

Lógica de que o Estado aparece sempre para nacionalizar os prejuízos e os lucros são sempre privados  é errada e deve acabar”, explicou.

Precisamente sobre o Novo Banco, e depois da polémica sobre a transferência de 850 milhões de euros por parte do Estado, a bloquista disse não ter razões para duvidar da honestidade do primeiro-ministro, adiantando que o problema para o Bloco está no montante transferido.

Não tenho razão nenhuma para duvidar da palavra do primeiro-ministro quando me diz que me deu uma resposta não tendo o dado de que a transferência [para o Fundo de Resolução destinado à recapitalização do Novo Banco] tinha sido feita”, afirmou Catarina Martins, durante uma entrevista no Jornal das 8, na TVI.

Em relação ao contrato de compra e venda do Novo Banco, redigido durante a “Geringonça”, da qual o BE fazia parte, Catarina Martins disse que o seu partido nunca teve conhecimento do documento: “Nós nunca conhecemos o contrato”.

Pedir dinheiro de volta aos bancos não é um bom negócio. Porque nunca aconteceu”, afirmou.

Em cima da mesa da reunião com António Costa esteve a questão do lay-off, e no Jornal das 8 Catarina Martins afirmou que “não é possível dizer aos trabalhadores que vão viver até ao final do ano com 30% do salário”, cenário que está em vigor atualmente.

Compreendemos que é preciso uma medida de apoio ao emprego. Se de repente desaparecer tudo, corremos o risco de as empresas serem insolventes e o desemprego ser a única solução”, disse.

Questionada por Miguel Sousa Tavares, a líder bloquista admite que uma das hipóteses pensadas pelo partido é a divisão do lay-off entre Estado e empresas, com cada uma das partes a suportar metade dos custos. Atualmente a medida é suportada em 33% por cada parte (Estado, empresas e trabalhadores).

Catarina Martins diz que “seria interessante encontrar outras medidas de apoio que não o lay-off”, lembrando ainda os funcionários que estão em regime de trabalho a prazo ou em outsourcing, que não estão abrangidos pelas medidas de lay-off.

Achamos que há condições para garantir que os salários são a 100% e que os trabalhadores precários têm a mesma proteção que os trabalhadores com vínculo”, referiu.

António Guimarães