A ministra da Saúde apelou esta quinta-feira ao cumprimento das normas de saúde pública por parte daqueles que são vacinados contra a covid-19.

Este será o cenário pelo menos até ao final do verão, altura em que Marta Temido prevê que seja atingida a imunidade de grupo, com 70% da população vacinada.

Entre as medidas que devem continuar a ser cumpridas estão o distanciamento físico e a utilização de máscaras. Uma das principais razões para que se mantenham estas medidas, segundo a ministra, é a circulação de várias variantes, mais contagiosas e potencialmente resistentes às vacinas.

A vacina ajuda à proteção, mas não é um escudo completo, e, portanto, o resto das medidas têm de ser mantidas e temos de continuar a ter cuidados”, alertou.

Marta Temido lembrou, no arranque da vacinação dos profissionais dos bombeiros, que a pandemia só será ultrapassada quando houver uma imunização em toda a sociedade.

A governante lembrou o caminho até aqui traçado, que é agora alargado a outros grupos de risco.

Será a vez de esse plano ser alargado aos profissionais de serviços essenciais, como é o caso dos bombeiros, mas também à população com mais de 80 anos e aos maiores de 50 anos com comorbilidades mais sérias.

Ainda sobre o plano de vacinação, Marta Temido admitiu que foram dados alguns "passos com tropeções".

Apesar desses percalços, a ministra traçou o objetivo de ter 70% da população até ao "fim do verão", em consonância com o que vinha já sendo dito pelo Governo, que apontou setembro como o mês para alcançar esse ponto.

São passos, são pequenos passos, são passos que às vezes têm tropeções, que nós gostaríamos de evitar, mas não podemos perder de vista aquela que é a meta a que queremos chegar, que é, no final do verão, ter 70% da nossa população vacinada contra covid-19”, disse Marta Temido, no arranque do programa de vacinação dos bombeiros no Centro de Saúde da Damaia, na Amadora, no distrito de Lisboa.

Este será o ponto a partir do qual o país pode atingir a imunidade de grupo, caminhando para um definitivo alívio de restrições.

O programa de vacinação dos bombeiros começou no Centro de Saúde da Damaia e contou, além de Marta Temido, com a presença do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, da secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, e do secretário de Estado Coordenador para o combate à pandemia na Região de Lisboa e Vale do Tejo, Duarte Cordeiro.

Cerca de 15 mil bombeiros voluntários, sapadores e municipais começaram a ser vacinados contra a covid-19, num processo que se vai prolongar durante as próximas duas semanas.

O Ministério da Administração Interna (MAI) sustenta que os bombeiros, dada a dimensão operacional do transporte pré-hospitalar que executam, desempenham “uma função essencial do Estado e por isso vão ser vacinados ao longo das próximas duas semanas”.

Segundo o MAI, a ordem de vacinação destes 15.000 bombeiros foi definida com base em critérios operacionais da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e abrange o universo de voluntários, sapadores e municipais.

O Ministério tutelado por Eduardo Cabrita indica que os locais de vacinação, em vários concelhos de cada um dos 18 distritos do continente, foram estabelecidos de acordo com a distribuição geográfica dos 15.000 bombeiros.

De acordo com o MAI, Lisboa e Porto são os distritos com mais bombeiros que vão ser vacinados contra a covid-19, 2.181 e 1.916 respetivamente, seguido de Viseu (1.025), Aveiro (958), Coimbra (945), Leiria (945), Braga (910), Santarém (842), Setúbal (829) e Vila Real (687).

No distrito da Guarda vão ser vacinados 644 bombeiros, em Faro 617, em Castelo Branco 500, em Bragança 477, em Portalegre 388, em Viana do Castelo 347, em Beja 358 e em Évora 326.

António Guimarães / com Lusa