A ministra da Saúde, Marta Temido, alertou esta segunda-feira que, "neste ritmo", Portugal vai duplicar os novos casos de covid-19 dentro de 15 dias, o que "não é um bom cenário".

Em entrevista à TVI, a ministra explicou que o indicador da pandemia em Portugal a vermelho na matriz traduz-se num "maior risco para todos nós, que deve ter consequências no dia a dia".

Já estivemos, em janeiro, numa zona que nem sequer cabia naquele quadradinho. Mas se não tomarmos todos as medidas necessárias as individuais mas também do sistema (vacinação e testagem), corremos o risco de não conseguir parar a evolução da transmissão da doença", afirmou.

Se nada se inverter, o cenário aponta para os 4.000 novos casos de covid-19 e cerca de 400 pessoas internadas em apenas duas semanas.

É uma corrida contra o tempo", alertou Marta Temido, frisando: Adotámos as medidas que se justificam".

Quando questionada sobre quais as consequências do agravamento da pandemia, Marta Temido afirmou que "não podemos afastar nenhum tipo de medidas", mas assumiu: "Não temos quadro legal para o confinamento. Isso implicaria um estado de emergência que neste momento não dispomos". 

Governo quer começar a vacinar menores de 18 no final de agosto

A ministra da Saúde pediu ainda "paciência" aos jovens, porque o país precisa desta faixa etária para o objetivo comum: travar a pandemia.

Se conseguirmos fazer-lhes passar esta mensagem de que está nas mãos deles e que este não será o último verão das vidas deles, é o melhor caminho para termos um outono e um resto das nossas vidas melhor", apelou Marta Temido

Para isso, "precisamos de ser rápidos na vacinação", destacou, avançando que a vacinação para os menores de 18 anos pode ser possível antes do final de agosto, desde que o fluxo de vacinas continue a correr como esperado.

Aquilo que nós estimamos é seguirmos este plano que temos e com as quantidades de vacinas a continuarem a chegarem-nos conseguirmos abrir na última semana de agosto vacinação para os menos de 18 [anos]”, adiantou Marta Temido.

De acordo com a governante, a vacinação nos menores de 18 só será possível só se forem cumpridos os planos de vacinação.

Neste momento, sabemos qual é o nosso contexto. Temos uma vacina que já tem uma indicação clara para os mais de 16 anos, temos um plano de vacinação que vai até aos 18 anos e continuamos apostados em proteger aqueles que são mais vulneráveis à doença grave e ao internamento”, afirmou.

Marta Temido salientou ainda que a Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 da Direção-Geral da Saúde (DGS) está a apreciar, em termos técnicos, como é plano se vai adaptar à “população mais jovem que tem especificidades pediátricas”.

Já sobre um adiamento do início do ano letivo, a ministra defende que "não está mesmo em cima da mesa" e é precisamente isso que o país precisa de evitar".

Não podemos ter um situação epidemiológica que nos coloque no início de setembro numa posição frágil"

"A vacina serve para nos proteger de doença grave"

Quando questionada sobre o isolamento profilático do primeiro-ministro, apesar de este já ter a vacinação completa, Marta Temido esclarece que a vacina serve para proteger de doença grave, e muitas vezes para evitar a morte, e "não significa que as pessoas não apanhem a doença".

Ainda não temos a verdadeira noção de quando é que uma pessoa vacinada não é um transmissor", esclareceu.

Rafaela Laja