A ministra da Saúde garantiu que o Governo está nas negociações do Orçamento do Estado para 2022 sem "encenação" ou "vontade de crise" política. Segundo Marta Temido, é de "cara lavada" que o Executivo de António Costa quer garantir a aprovação da proposta.

Depois de citar José Mário Branco, a ministra da Saúde sublinhou que “o chão que temos para andar exige esforço”.

“Estão em cima da mesa dois modelos de sociedade e todos percebemos isso. Não há encenação, nem vontade de crise. O Governo vem de cara lavada, dizendo o que pode, quer e vai continuar a fazer pelos portugueses.”

A intervenção de Marta Temido foi aplaudida de pé pela bancada parlamentar do PS.

Antes, a ministra da Saúde destacou que este "é um dos mais importantes orçamentos dos 42 anos da história do Serviço Nacional de Saúde".

Marta Temido enumerou as medidas propostas pelo Governo, como a recuperação da autonomia na contratação de profissionais pelas unidades do SNS e o incentivo à dedicação plena.

Com os últimos governos, de António Costa, a ministra sublinhou que o SNS “recuperou cortes salariais, descongelamentos e as 35 horas semanais”, dando "estabilidade a vínculos laborais".

“São factos de que nos orgulhamos e que construímos em conjunto com os partidos de esquerda.”

E, continuou Temido, foram factos que tornaram o SNS “mais bem preparado para responder à pandemia, como se viu”.

A ministra explicou ainda que "o regime de dedicação plena não é um regime de dedicação exclusiva", uma vez que o Estado não quer "pagar mais às pessoas por elas mudarem de serviço", mas sim para "lhes pagar melhor, enquanto fazem as horas a mais que são necessárias", respondendo assim às críticas do BE quanto às horas a mais no horário de trabalho dos profissionais neste regime.

Na sua intervenção final, a ministra Marta Temido reconheceu que "há muitas coisas que ainda faltam fazer para melhorar o SNS", mas garante que o Governo do PS tem vindo a responder às necessidades nesta matéria.

"Aumentámos em 17 957 assistentes técnicos, nomeadamente no SNS, ao longo dos últimos anos, dos quais 476 desde o início deste ano. (...) Melhorámos o atendimento em centrais telefónicas", enumerou Marta Temido, que garante "continuar a acreditar no Orçamento" apresentado pelo Governo.