A coordenadora do BE, Catarina Martins, critica as ministras do Trabalho e da Cultura por uma intervenção “politicamente desajustada e desastrada”, apesar de considerar que uma troca de governantes não resolve a falta de direção política.

Em entrevista à agência Lusa em vésperas da reunião magna do partido, Catarina Martins, foi questionada sobre quais eram os outros ministros do atual Governo socialista, para além de Eduardo Cabrita (Administração Interna), que estão numa “situação insustentável”, conforme defendeu em entrevista no início da semana à Antena 1.

Eu não creio que debater quem está em cada ministério no momento nos ajude a centrar nos problemas políticos. Agora, é óbvio que há áreas em que a intervenção tem sido para lá de politicamente desajustada, eu diria mesmo desastrada”, critica.

A líder bloquista elenca problemas de diálogo entre os responsáveis políticos, a sociedade e o país e, afirma, com os vários interlocutores com os quais é necessária proximidade.

Nós temos um problema grande no Ministério do Trabalho e da Segurança Social, com uma grande incapacidade de ter proposta, de resolver problemas, com uma série de propostas que são feitas e que depois estão mal feitas pois não funcionam”, lamenta.

Segundo Catarina Martins, tem havido “vários momentos às vezes até tristemente caricatos”.

Outro “alvo” da coordenadora do BE é a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Neste momento não consegue ter nenhum interlocutor na sua área porque, enfim, a sua medida mais emblemática foi uma raspadinha para o património”, ironiza.

Quando em Portugal há um “problema grave de vício do jogo” era preciso controlar essa mesma dependência e não promover mecanismos que a estimulem, defende.

No entanto, para Catarina Martins, “não será propriamente trocar ministros que resolve o problema”, sendo preciso “haver uma direção política para o que se está a fazer”.

No caso concreto de Eduardo Cabrita, a dirigente bloquista recordou o caso de “um cidadão torturado até à morte por uma força de segurança”.

É óbvio que, do ponto de vista simbólico, da própria democracia, o ministro que tutela essa força de segurança fica numa situação insustentável”, referiu.

/ JGR