O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, alertou esta quarta-feira que as alterações climáticas não são um problema da próxima geração, mas sim da atual, que tem a responsabilidade de mudar o futuro.

Quando falamos das alterações climáticas não podemos pensar apenas na próxima geração, a atual geração já sofre com as alterações climáticas e tem a responsabilidade de mudar as coisas no sentido de um mundo melhor e um clima melhor no futuro”, disse o ministro na conferência virtual sobre o clima “Investing in Climate Action: The Make-or-Break Decade”, organizada pelo Project Syndicate, uma organização internacional de media, pelo Banco Europeu de Investimento e pela Comissão Europeia.

Reafirmando que a presente década é “crucial” para que se atinja a neutralidade carbónica em 2050, João Pedro Matos Fernandes, que participou na conferência a partir do Algarve, citou o problema da seca na região para dizer que as alterações climáticas são já reais e que a adaptação já está a acontecer.

Ainda assim, numa perspetiva otimista, o ministro salientou que os Estados membros da União Europeia estão muito empenhados na questão das alterações climáticas, com o objetivo ambicioso de redução de emissões de gases com efeito de estufa até pelo menos 55% até 2030, e lembrou a importância da próxima cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP26), marcada para novembro em Glasgow.

Matos Fernandes saudou ainda o regresso dos Estados Unidos ao Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa (que o país tinha decidido abandonar na presidência de Donald Trump), mas considerou importante que a União Europeia não perca a liderança do processo de luta contra as alterações climáticas.

Questionado sobre a importância da biodiversidade o ministro disse que na verdade há objetivos claros quando se fala da ação climática, da mitigação, ou de impedir o aumento das temperaturas, mas que não são tão claros em relação à biodiversidade, pelo que a próxima conferência da ONU sobre a matéria (COP15) deve estabelecer objetivos precisos.

A atual pandemia de covid-19 “deixou bem claro que é impossível discutir a saúde humana sem discutir a saúde animal e a saúde ambiental”, disse, afirmando-se convencido que o próximo grande tema mundial será sobre a recuperação da biodiversidade.

Antes da intervenção de Matos Fernandes, o ambientalista e fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand já tinha alertado que para o aquecimento global, ao contrário do que se passa em relação ao novo coronavírus, que provoca a doença covid-9, não há uma vacina.

A conferência está hoje a debater os instrumentos de apoio no esforço global de descarbonização e os mecanismos de investimento público e privado que podem ser utilizados para alcançar uma transição justa e uma economia de “emissões zero", na União Europeia e em todo o mundo.

/ JGR