O ministro do Ambiente garantiu esta sexta-feira que não haverá exploração de lítio em Boticas sem avaliação do impacto ambiental, explicando que o Governo encara aquele negócio "sempre numa perspetiva de acrescentar valor". É a primeira reação de João Pedro Matos Fernandes após a emissão da reportagem da TVI que dá conta da ameaça que a exploração tem sobre três aldeias e sobre um vale considerado Património Agrícola Mundial pela UNESCO.

Caso a empresa que tem este contrato [de prospeção] queira passar depois para a fase de exploração vai ter que fazer uma avaliação de impacto ambiental, e só depois de fazer a avaliação de impacto ambiental é que pode perceber se há ou não condições para ali poder haver uma exploração de lítio", garantiu João Pedro Matos Fernandes, em Guimarães, à margem de uma conferência sobre plásticos, organizada pela Universidade do Minho.

O projeto da chamada Mina do Barroso tem uma área de concessão localizada nas freguesias de Dornelas e de Covas do Barroso, no concelho de Boticas.

O governante referiu que a extração de lítio "é necessária" com o "objetivo de haver uma fileira industrial que permita o processamento desse mesmo lítio, com o objetivo maior que é a eletrificação da mobilidade e por essa via fazer a transição energética".

O titular do Ambiente e da Transição Energética defendeu que a extração de lítio deve ser vista em duas perspetivas: "Em 1.º lugar, o papel que o lítio como material primário pode ter na construção de baterias, e que é da maior importância para a mobilidade elétrica, e, em segundo lugar, sempre numa perspetiva de acrescentar valor", enumerou.

Nós não queremos minas para ter minas (…). Devemos olhar para o lítio não como um projeto de fomento mineiro, mas como uma parcela necessária de toda um projeto industrial que tem como objetivo a eletrificação da mobilidade e por essa via a transição energética", disse.

Matos Fernandes afastou ainda a possibilidade do Governou estar a equacionar classificar o projeto de exploração de lítio no Barroso como Projeto da Interesse Nacional.

É uma questão que não se coloca neste momento. O Governo não pensa nada sobre esta matéria", respondeu quando questionado sobre o assunto.

Está prevista para Covas do Barroso uma mina de lítio a céu aberto e, neste momento, estão a ser feitas no terreno prospeções por parte da Slipstream Resources, sediada em Braga e subsidiária da empresa mineira Savannah Resources.

Na freguesia do concelho de Boticas, distrito de Vila Real, foi recentemente criada a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) para alertar e lutar contra a mina do Barroso.