O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, espera ter "novidades" sobre o Plano de Reestruturação da TAP nos próximos dias, nomeadamente uma aprovação da Comissão Europeia.

Esperamos a breve prazo ter o plano aprovado pela Comissão Europeia", adiantou o ministro, frisando que a "reestruturação da TAP está no terreno".

Em entrevista a Miguel Sousa Tavares, esta segunda-feira, o ministro explicou que a TAP “está a passar por um processo de restruturação, pelo qual nunca tinha passado na sua história”.

Tínhamos quase 10 mil trabalhadores, e estamos, neste momento, com cerca de 7.000 trabalhadores. Se isto não é uma restruturação é o quê?”, questionou o ministro, referindo que a empresa irá perder “um quarto da força de trabalho”, com a saída de 2.400 trabalhadores.

O governante salientou também que, até dezembro, a empresa vai perder cerca de duas dezenas de aviões.

“A TAP, até ao final do ano, vai ter menos 20 aviões do que no início de 2020, entre vendas e devoluções. Passamos de 108 para 88 aviões. Hoje já temos menos rotas. Temos uma empresa que já reduziu quase 25% da sua força de trabalho, temos pilotos com cortes salariais de 50%, com os trabalhadores com corte de 25% nos seus salários, menos 2.400 trabalhadores, menos rotas, menos voos”, explanou.

Pedro Nuno Santos acrescentou que o Governo está a “salvar uma empresa determinante para a economia portuguesa”, com o plano de restruturação na TAP.

O governante deixou claro que a TAP é uma companhia de bandeira e que o Governo quer ter uma empresa que serve um HUB.

Já perante as críticas de Miguel Sousa Tavares, que sugere um declínio na qualidade do serviço da companhia aérea, o ministro defendeu que "a TAP faz o que as low cost não fazem nem farão" e que "está a transportar mais que o resto". 

Sem a TAP, a situação ficaria mais perigosa", apontou, descartando ainda que "a ideia que o Estado anda a meter dinheiro na TAP todos os dias é falsa".

Em dezembro do ano passado, o Governo entregou à Comissão Europeia (CE) a proposta inicial do plano de restruturação da TAP, que prevê para o próximo ano um auxílio do Estado de 970 milhões de euros.

De acordo com um comunicado conjunto dos ministérios das Infraestruturas e da Habitação e das Finanças, “foi entregue em 11 de dezembro à Comissão Europeia uma proposta inicial do plano de reestruturação da TAP, ao abrigo da Diretiva Europeia que regulamenta os auxílios de Estado”.

O executivo também deu conta de que está previsto “que em 2021 a TAP venha a necessitar de um apoio de Estado de 970 milhões de euros”.

O Governo acrescentou que o documento enviado para Bruxelas “incorpora uma transformação significativa da operação” da companhia aérea, de modo a “garantir a viabilidade e sustentabilidade” a “médio prazo”.

A entrega desta proposta de plano de restruturação foi imposta por Bruxelas como condição para aprovar o auxílio estatal de até 1.200 milhões de euros à companhia aérea.

Fonte oficial do Ministério das Infraestruturas disse que o Governo entregou plano de reestruturação exigido por Bruxelas, no âmbito do apoio estatal de até 1.200 milhões de euros, aprovado pela Comissão Europeia, em 10 de junho de 2020.

A partir daquela data, a companhia tinha seis meses para apresentar um plano de reestruturação que demonstrasse que a empresa tinha viabilidade futura, uma vez que a Comissão Europeia entendeu que a companhia já se encontrava numa situação financeira difícil antes da pandemia de covid-19, não sendo, assim, elegível para apoios específicos para empresas que estejam a sofrer os impactos da crise sanitária.

A elaboração do plano ficou a cargo da consultora Boston Consulting Group (BCG), escolhida pela companhia aérea.

"Ferrovia 2020 vai ser executado na íntegra" 

O ministro das Infraestruturas relembrou que "sucessivos Governos desinvestiram na ferrovia" e que praticamente todo o Ferrovia 2020 está no terreno.

Eu quando me meto numa coisa é para fazer",  deixou claro.

Rafaela Laja