Os três candidatos à liderança do PSD, Rui Rio, Luís Montenegro e Pinto Luz, manifestaram-se de acordo na crítica ao modelo económico do atual Governo, considerando excessivo o peso dos impostos nas famílias e empresas.

Estas posições foram assumidas na parte final do primeiro debate entre os três candidatos que vão disputar as eleições diretas de 11 de janeiro para a presidência do PSD e que teve lugar na RTP.

Em relação ao Estado social, Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, defendeu a necessidade de "um novo contrato social com os portugueses", juntando o Estado, o privado e o setor social.

Ao longo do debate, Miguel Pinto Luz atacou o peso do Estado na economia, designadamente ao nível da sua presença no setor dos transportes em geral - falou mesmo no caso da TAP -, e defendeu em contraponto que deve ter um papel mais forte, por exemplo, na rede de creches.

No mesmo sentido, Luís Montenegro, antigo líder parlamentar social-democrata, atacou o Governo socialista e considerou irónico que Portugal "atingiu a maior carga fiscal de sempre, e ao mesmo tempo, não utiliza o montante arrecadado pelos impostos para melhorar os serviços públicos".

O caso da saúde é escandaloso, o sistema está a rebentar pelas costuras. Há um complexo do PS atual que está amarrado, insisto, ao PCP e ao Bloco de Esquerda, segundo o qual todos os serviços devem ser prestado pelos equipamentos do Estado, e não há complementaridade com o setor privado e com o setor social", apontou.

O atual presidente do PSD centrou as suas críticas no atual modelo económico seguido pelo executivo de António Costa, colocando aqui a fonte dos problemas ao nível do funcionamento dos serviços públicos.

A componente nuclear, o ponto de partida tem a ver com o modelo de crescimento económico. Se nós não invertermos o modelo de crescimento económico que o PS tem seguido, não vamos conseguir resolver nada disto. Precisamos de crescimento económico, de mais organização na despesa, otimização da despesa pública e, depois, mais receita, mas mais receita por via de maior crescimento económico e não por maior carga fiscal, que atingiu um patamar do outro mundo - e penso que vai continuar a subir", afirmou Rui Rio.

Depois de uma fase inicial de debate tenso, Luís Montenegro assumiu estar de acordo com o presidente do PSD nesta análise às causas dos problemas estruturais existentes em Portugal.

Diferenças entre os três candidatos registaram-se na resposta à questão sobre se este Governo minoritário socialista tem condições para durar os quatro anos da legislatura, com Luís Montenegro a acreditar que sim e Rui Rio a dizer que esta legislatura será "mais difícil", até porque a sua chegada à liderança "acabou por ajudar a destruir um bocado o cimento" que antes existia entre os parceiros de esquerda.

Antes, Luís Montenegro tinha sustentado que "há uma frente de esquerda" que associa o PS, o Bloco, o PCP, o PEV, o Livre e o PAN - frente que "o doutor António Costa vai gerir nos próximos quatro anos".

Eu não tenho dúvidas nenhumas de que no fim do dia, sempre que houver problemas, há de haver uma solução dentro desta maioria", referiu o antigo presidente do Grupo Parlamentar do PSD.

Já sobre os objetivos traçados por cada um dos três candidatos para as próximas eleições autárquicas, Luís Montenegro considerou que a vitória do partido está ao alcance, inclusivamente na disputa da Câmara de Lisboa.

Tenho na minha cabeça várias pessoas que podem cumprir esse objetivo", afirmou, embora recusando-se a falar de nomes e já depois de reconhecer que "o definhamento" do PSD no Poder Local "vem de trás", ou seja, de um período anterior a Rui Rio.

O presidente do PSD considerou que as próximas eleições autárquicas são "fundamentais", até "mais importantes do que as legislativas" e classificou como "muito difícil" o objetivo de os sociais-democratas voltarem a ter a presidência da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), já que implica "ganhar para aí umas 40 câmaras" face a 2017.

Já Miguel Pinto Luz considerou que a vitória em número de câmaras é "uma fasquia ambiciosa mas possível", o que implica regeneração.

O PSD, observou Miguel Pinto Luz, nas autárquicas de 2013 e 2017 tem vindo a perder câmaras para independentes, autarcas que foram sociais-democratas.

"Eu, como líder, também proponho agregar, somar, multiplicar. E aí, se calhar, aquele resultado que Rui Rio coloca como uma fasquia quase impossível, eu coloco como uma fasquia mbiciosa, mas possível", acrescentou.

/ HCL