O cemitério dos Prazeres será a última morada de Mário Soares, pelo menos enquanto não for para o Panteão Nacional, o que só poderá acontecer daqui a 20 anos, em 2037, pelo que está previsto na lei. O funeral será na terça-feira, às 17:00, mas as cerimónias fúnebres arrancam um dia antes, na segunda-feira. O Governo decretou três dias de luto nacional e o funeral terá honras de Estado.

Para este domingo não está agendada "qualquer cerimónia", segundo a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, que está a representar o primeiro-ministro, uma vez que António Costa está de visita oficial à Índia.

Na segunda-feira, segundo a ministra, o corpo de Mário Soares sairá da sua residência, passará e fará paragem na Câmara em armão com escolta a cavalo da GNR até ao Mosteiro dos Jerónimos, onde deverá chegar por volta das 13:00. Estará em câmara ardente aberta ao público entre as 13:00 e as 24:00.

Na terça-feira, a mesma coisa, mas entre as 08:00 e as 11:00. Às 13:00, haverá uma sessão de homenagem evocativa igualmente no claustro dos Jerónimos.

Depois, o cortejo fúnebre seguirá para o cemitério dos Prazeres, fazendo breves paragens na Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato.

A concentração de pessoas no cemitério dos Prazeres está agendada para as 15:30, mas o funeral será um pouco mais tarde, pelas 17:00.

Quem quiser pode ir ao funeral

O Governo apela a todos os cidadãos que participem nas cerimónas desta grande figura da História e simbolo da liberdade".

A ministra indicou ainda, depois de várias horas de reunião para decidir o protocolo de Estado, que toda a cerimónia foi organizada em colaboração com a família.

Quanto à presença de entidades estrangeiras, "a seu tempo" o Governo informará aquelas que virão ao funeral.

O antigo assessor de Mário Soares, José Manuel dos Santos, esteve presente na reunião e, lá fora aos jornalistas, disse que "obviamente é um funeral com honras de Estado", mas defende que quem for admirador daquele que é considerado o pai da democracia portuguesa pode homenageá-lo e dele se despedir.

[O funeral] tem essa configuração [de Estado], mas nós fazemos apelo à participação de todos os cidadãos, admiradores de Mário Soares, para que as cerimónias tenham aquele toque, aquele carácter de Mário Soares de participação e diálogo com todas as pessoas".

 

Embora não esteja agendada qualquer cerimónia para domingo, haverá algumas instituições que terão "livres condolências, nomeadamente o Partido Socialista". Quanto à Fundação Mário Soares, "é preciso confirmar: mas sei que há desejo de livro de condolências", contou. 

Os tempos da morte

O antigo Presidente da República faleceu este sábado, dia 7 de janeiro de 2016, pelas 15:28, no Hospital da Cruz Vermelha onde esteve internado 26 dias, desde 13 de dezembro.

Esteve sempre acompanhado dos seus filhos, João e Isabel. O sobrinho Eduardo Barroso garantiu, no Jornal das 8 da TVI, que a terapêutica a que foi submetido durante o internamento "foi correta" e que "ele não sofreu".

Reações

Várias figuras de renome nacional e internacional reagiram com profundo pesar à morte de Mário Soares. Desde logo o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que enalteceu o "legado" que ele deixa ao país e aos portugueses: a liberdade. 

O primeiro-ministro também lamentou a "perda insubstituível", recordando-o como "o rosto e voz da nossa liberdade". Numa visita oficial de seis dias à Índia, António Costa não marcará presença no funeral de Soares. 

O Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, falou de Mário Soares como um "herói", dizendo que Soares é fixe é uma expressão que se vai apropriar durante muitos anos.

Os antigos chefes de Estado também se mostraram consternados com esta perda. Cavaco Silva disse que Portugal "deve muito" àquele que foi um "verdadeiro animal político". Para Jorge Sampaio, este é "um momento de profundo pesar", tendo destacado a "profunda convicção e capacidade de resistência e luta pela liberdade". 

António Guterres, socialista e antigo-primeiro-ministro, foi na qualidade de secretário-geral das Nações Unidas que manifestou o seu "agudo sentimento de perda". Soares era um dos "raros líderes políticos de verdadeira estatura europeia e mundial".