CDS e PSD concordam com uma comissão parlamentar de inquérito ao furto de armas em Tancos. O líder da bancada social-democrata, Fernando Negrão, dramatiza mesmo o caso, dizendo que pode estar em causa o “regular funcionamento das instituições”.

Depois de ter dito, durante a manhã, à TSF e à Lusa que o PSD viabiliza o inquérito, Negrão falou aos jornalistas nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, em Lisboa, para afirmar que este caso se relaciona com “o regular funcionamento das instituições”.

“Usando uma expressão constitucional”, Negrão insistiu que o caso de Tancos se relaciona “com o regular funcionamento das instituições”, no caso, instituições ligadas à segurança interna e externa, incluindo as Forças Armadas.

Para o líder da bancada do PSD, o furto de armamento nos paióis de Tancos, em junho de 2017, e a resposta do Exército, do Governo e das polícias, resultaram em “problemas de organização e [falta] de capacidade de [os] resolver”. O que causa “perplexidade” e “alguma vergonha”, nas palavras de Negrão.

"Cada dia que passa, menos percebemos"

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, após a conferência de líderes que agendou o debate para 24 de outubro, justificou o pedido de inquérito com “o dever” de o parlamento apurar “as responsabilidades políticas”.

“Cada dia que passa, menos percebemos. Menos percebemos o que o Governo fez, o que o Governo não fez, o que o Governo disse e, pelos vistos, não corresponde à verdade”, afirmou.

Nuno Magalhães separou o processo judicial, que não estará em causa no inquérito, do processo de apuramento de responsabilidades políticas, tanto do executivo como do Exército.

O texto da resolução é “conciso e simples” de modo a ser aprovado por unanimidade, no parlamento, que “até o primeiro-ministro poderia votar”.

Este foi um caso que “pôs em causa o prestígio internacional” de Portugal, e em que o Governo deu garantias, junto da NATO e União Europeia, de que todo o armamento tinha sido recuperado, em outubro, cinco meses depois do furto.

A proposta do CDS-PP vai ser debatida e votada no dia 24 de outubro. O texto da iniciativa delimita o objeto do inquérito ao período entre junho de 2017, quando foi conhecido o furto do armamento, até ao momento de hoje, com o “objetivo de identificar e avaliar os factos, os atos e as omissões” do Governo do PS no processo.

No projeto de resolução, a que a Lusa teve acesso, o CDS acusa o Governo de, “numa primeira fase, desvalorizar o sucedido”, depois alegar desconhecimento e tentar “precipitadamente encerrar o problema, sem retirar as devidas consequências”.