Entre os 26 concelhos que estão acima do limite definido pelo Governo, de 120 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias, há quem se sinta prejudicado por este critério, uma vez que um número menor de casos num concelho com pouca população faz logo disparar os alarmes.

Recorde-se que o primeiro-ministro, que está esta terça-feira reunido com autarcas dos concelhos do continente com mais casos de covid-19 por 100 mil habitantes, avisou estes concelhos que poderão não avançar no desconfinamento se se mantiverem nestes níveis de risco.

À TVI24, o presidente da Câmara Municipal do Alandroal, que tem neste momento 200 novos casos por 100 mil habitantes, devido a um surto entre trabalhadores da construção civil, disse que espera que a situação seja “rapidamente” ultrapassada, mas queixou-se do critério que coloca o concelho nesta situação.

“Alguns concelhos correm o risco de ficar para trás neste processo. Se calhar valia a pena refletirmos se é preciso conjugar algum outro critério, por exemplo a densidade populacional”, afirmou João Grilo.

Também no concelho de Rio Maior, que tem 334 novos casos por 100 mil habitantes, é um surto numa empresa que fez disparar os números num concelho com apenas 21 mil habitantes.

“Queremos que o concelho cumpra os rácios definidos pelo Governo e obviamente há que reduzir o número de infeções, mas estamos numa situação em que achamos muito necessário manter o discernimento”, disse à TVI24 o autarca Filipe Santana, sublinhando que, a 1 de fevereiro, Rio Maior tinha 647 casos ativos e hoje tem 45.

Catarina Pereira