O secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media defendeu esta quarta-feira que os cidadãos preparados para o futuro têm de estar informados e, para isso, precisam de instrumentos que os defendam das “armadilhas da desinformação”, que “mina as democracias”.

Se nós queremos ter cidadãos preparados para o futuro, eles têm que estar informados e, para estarem informados, eles precisam de ter instrumentos que os defendam das armadilhas da desinformação”, considerou Nuno Artur Silva, em declarações à agência Lusa, a propósito do lançamento da página na Internet LEME, com recursos de literacia mediática, que estarão ao alcance de todos os educadores.

“A valorização da literacia mediática é fundamental por questões de cidadania e de participação social, para que todos possam participar de forma informada. […] Todos estamos vulneráveis quando estamos nas redes sociais, quando lemos uma notícia, quando vemos uma notícia na televisão ou nos chega uma informação na internet, nós estamos vulneráveis e tendemos a acreditar na notícia. […] Hoje em dia esse é campo fértil para manobras voluntárias, às vezes involuntárias, de desinformação e isso mina as democracias, destrói a democracia”, afirmou o governante.

Nuno Artur Silva considerou que havia uma lacuna no combate à desinformação, por não existir um agregador de conteúdos, como o que será lançado hoje, que ajude a dotar os alunos de instrumentos de combate à desinformação e às chamadas ‘fake news’.

Isto que nós estamos a fazer parece-nos fundamental para a defesa da democracia, porque é, no fundo, dar aos cidadãos desde muito pequenos a capacidade de poderem perceber como é que se devem informar, ou seja, ao que é que têm de estar alerta para perceber se uma informação que lhes chega é correta, se as fontes são credíveis, se não estão a ser enganados”, explicou o secretário de Estado.

O governante considerou, porém, que devem também ser as próprias empresas de comunicação social a criar os próprios mecanismos para se defenderem contra a desinformação, ainda que com o apoio e incentivo do Governo.

“As áreas onde neste momento o Governo tem a possibilidade de intervir diretamente é aqui ao nível das escolas. Isso faz parte, digamos, da área de influência do Governo, através de uma série de programas de incentivo à literacia mediática a que vamos aderindo”, acrescentou.

O Governo lança hoje uma página na Internet, chamada LEME, com recursos de literacia mediática, que contou com contributos de vários intervenientes, entre os quais a agência Lusa.

Numa nota da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, o Governo recordou que, através dos secretários de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, “decidiu promover, em junho de 2020, a criação de um grupo de trabalho (GT), formado por investigadores, professores, formadores, jornalistas e representantes de instituições públicas".

Este grupo foi "mandatado para inventariar, selecionar e sistematizar os recursos disponíveis em matéria de literacia mediática, bem como para propor inovações que contribuam para enriquecer a oferta e para suprir as lacunas detetadas”, segundo a mesma informação.

A atividade desenvolvida por este GT “deu origem à criação de um sítio na internet, designado LEME – Literacia e Educação Mediática Em linha (leme.gov.pt), custeado pelo .PT, que, entretanto, se associou ao projeto”, de acordo com o Governo.

Este ‘site’ é “inteiramente dedicado aos recursos de literacia mediática, com o propósito de contribuir para que educadores e professores da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário promovam, de forma mais sustentada, a sua missão pedagógica de estimular nos seus alunos, consumidores e produtores de conteúdos nos media digitais cada vez mais frequentes, os conhecimentos, as competências e o sentido crítico indispensáveis a uma atuação informada e responsável”, segundo a mesma informação.

O LEME fica, a partir de hoje, “acessível para o público em geral a título gratuito”.

/ AG