O CDS-PP criticou a nova lei das armas, acusou o Governo de fazer um diploma “assente em equívocos e preconceitos” e vai propor uma audição pública, no parlamento, sobre o tema.

O anúncio foi feito pelo deputado Telmo Correia e pelo eurodeputado do CDS Nuno Melo, numa conferência de imprensa no parlamento, em Lisboa, em que alertaram para os efeitos que a lei pode ter em “centenas de milhar” de pessoas, entre caçadores, colecionadores, atiradores desportivos ou pessoas que herdaram uma arma.

Nuno Melo afirmou que o diploma anunciado pelo Governo “vai além” da diretiva europeia que é transposta para a lei portuguesa, sob as críticas de caçadores a colecionadores e armeiros.

O exemplo é a limitação do número de armas detida por cada pessoa, lembrando o vice-presidente do CDS que, por exemplo, na caça, um tipo de arma pode não ser suficiente para caça grossa ou às perdizes.

Para Nuno Melo, este é um setor que está muito regulamentado, emprega muitas pessoas e que paga impostos. O eurodeputado contestou a ideia lida nos “títulos de jornais” de que o Governo quer “500 mil armas de circulação”.

Hoje em dia, com a lei em vigor, quem quer ter uma arma em casa, mas não a utiliza, é obrigado a tê-la num cofre, uma licença de detenção, que é controlada pelas forças policiais, argumentou.

E quanto ao risco que estas armas representam para a sociedade, Nuno Melo afirmou que são muito menos os roubos de “casas de particulares” do que de quartéis e esquadras policiais, dando o exemplo do roubo de pistolas “Glock” e de armamento dos paióis do Exército, em Tancos.

E até ironizou que não é por haver “muitos crimes cometidos com facas de cozinha e até com carros” que o Governo vai legislar que “se tem que usar talheres de plástico ou que as pessoas vão deixar de poder ter determinado número de veículos nas suas garagens”.