O Presidente de Timor-Leste, Francisco Guterres Lú Olo, recordou no sábado o antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio como um “lutador incansável pela liberdade e democracia” e manifestou “sinceras condolências à família enlutada e ao povo português”.

Numa missiva dirigida ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, o chefe de Estado de Timor-Leste enaltece Jorge Sampaio, que morreu na sexta-feira, como um “lutador incansável pela liberdade e democracia” e um homem “íntegro e humano em todas as causas em que se empenhou”, exprimindo ainda "a gratidão e reconhecimento de tudo quanto Jorge Sampaio fez por Timor-Leste”.

O texto, hoje divulgado, recorda que Jorge Sampaio, nas suas diversas funções oficiais, esteve com Timor-Leste "nos momentos mais difíceis” e refere-se à sua presença em dezembro de 1996 na “atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois filhos de Timor-Leste”.

Francisco Guterres Lú Olo assinala o momento em que a Indonésia emitiu sinais sobre a mudança de posição sobre Timor-Leste, um momento “em que Jorge Sampaio, enquanto chefe de Estado, reforça a sua atividade em prol de Timor-Leste, revelando uma vez mais o seu profundo conhecimento do contexto internacional e a sua visão estratégica”.

Uma causa “que implicou meses de insónia e de trabalho intenso, noite e dia, para evitar uma terrível tragédia para os timorenses".

"A causa de Timor levou Sampaio às lágrimas”, acrescenta

O chefe de Estado timorense frisa ainda a presença de Jorge Sampaio em Díli “para assistir ao içar da bandeira e ao reconhecimento internacional do Estado de Timor-Leste, no dia 20 de maio de 2002”, e sublinha que na sua última vista oficial, em 2006, o parlamento timorense atribuiu a Jorge Sampaio “o título de Cidadão Honorário da República Democrática de Timor-Leste”.

Em 2016, e após ter reconhecido a “solidariedade e o apoio ativo” de Jorge Sampaio na luta pela independência, o Estado timorense condecorou-o “com o maior galardão do Estado, o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste”.

“Timor-Leste perdeu um amigo e um companheiro de luta em momentos decisivos para a vida do nosso país. Um homem extraordinário que combinava a inteligência com o coração, não deixando de ser um homem de ação. Jorge Sampaio é o exemplo do político que se empenha com seriedade e coerência. Será sempre uma fonte de inspiração para todos aqueles que querem servir a causa pública”, enfatiza o Presidente timorense na mensagem dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa.

“Homens desta envergadura eternizam-se porque o seu legado perpetua-se pelas gerações adentro!”, acrescenta Lú Olo, que reitera ao seu homólogo português os seus "profundos sentimentos" e a expressão da sua "mais elevada consideração”.

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e ex-Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

O funeral, com honras de Estado, realiza-se este domingo, antecedido por uma homenagem nacional no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

/ MJC