A líder do Bloco de Esquerda lançou esta quinta-feira uma lista de prioridades para o Orçamento do Estado de 2022. Numa altura em que o Governo começa a lançar a escada para uma negociação dos investimentos, Catarina Martins alerta que o Bloco de Esquerda está "muito preocupado" com as condições de funcionamento do SNS.

Parece-nos que, sem essas condições, os milhões anunciados em investimento podem redundar num fracasso para o país porque depois não vamos ter os profissionais necessários para que a coisas funcionem, nem a organização necessária para garantir que esses investimentos servem toda a população", alertou a líder bloquista.

Para Catarina Martins, se alguém duvidava, a pandemia esclareceu o país: o SNS é fundamental, mas há falta de recursos. "Mesmo que não houvesse covid já se sabia que faltavam profissionais no SNS", apontou.

Uma lei de bases da saúde não chega ao terreno se depois não houver os instrumentos orçamentais", defendeu. 

O partido propõe um aumento do número de vagas em medicina geral e familiar, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo: "Não há atalhos. Esta é uma especialidade e tem de ter uma boa formação". Além disso, Catarina Martins refere ser importante captar os médicos que não puderam obter a especialidade por falta de vagas e avançar com a exclusividade dos profissionais de saúde.

A líder bloquista frisa ainda a necessidade serem criadas mais unidades de saúde familiar e redimensionar os Agrupamentos de Centros de Saúde: "Temos um país a várias velocidades".

Entre as propostas está ainda a criação "de um verdadeiro estatuto de risco e penosidade".

O governo não tem tido muita pressa em fechar dossiês negociais do Orçamento do Estado. O BE tem toda a paciência para ir negociando e discutindo, mas tememos que uma determinada urgência do Governo em anunciar investimentos de milhões e a sua resistência a discutir as regras do SNS nos possa levar a um caminho muito perigoso em que há milhões de investimentos que depois ficam parados", disse Catarina Martins.

Rafaela Laja