O presidente do PSD acusou o Governo de não se ter preparado para a crise que resultou da pandemia de covid-19 e por não ter tornado a economia do país mais robusta no período de crescimento económico. 

A história e a ciência económica ensinam-nos que as crises são cíclicas. Por isso, um governo responsável, sabe que em épocas de crescimento, tem de preparar a economia para que ela consiga a robustez necessária para enfrentar os períodos de recessão, ou seja, para estar capaz de minorar os problemas sociais deles decorrentes”, disse no segundo dia de debate na generalidade da proposta do Governo do Orçamento do Estado para 2021. 

Deixou ainda duras críticas à gestão que tem sido feita do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, apresenta hoje, "grandes falhas na sua capacidade de resposta" e "maiores dificuldades para responder à pandemia”.

Foi mais longe e disse que falta planeamento, mas, sobretudo, "falta consideração e respeito" pelos utentes que não têm outra forma de se tratar sem ser através do SNS. 

Falta planeamento, mas falta, acima de tudo, consideração e respeito, designadamente por quem não tem outros meios para se tratar que não seja o serviço público de saúde”, criticou.

Rui Rio admitiu que seria impossível um país estar “totalmente preparado” para uma pandemia, mas considerou que “era obrigação” de quem governa ter planeado melhor uma resposta à segunda vaga.

Acusou também o executivo de querer “dar tudo ao mesmo tempo” e ter “o descaramento de dizer que não há austeridade”, considerando que tal é “enganar as pessoas”.

Distribuir o que se tem por quem mais precisa, é justo e merece o nosso apoio e incentivo. Mas distribuir tudo ao mesmo tempo - o que se tem e o que se não tem - é empenhar o futuro e enganar as pessoas. É dar a falsa ilusão de uma facilidade que não é real e que, mais tarde, poderá ter de ser paga com desnecessário sofrimento”, afirmou.

O líder do PSD salientou ainda que a atual proposta de orçamento “esquece a importância determinante das empresas” no relançamento da economia, apontando as diferentes opções dos sociais-democratas.

Não será possível, neste momento, uma enorme redução dos impostos, do défice ou da dívida, nem uma política agressiva de apoio à exportação e ao investimento. Mas, como disse, é absolutamente imprescindível mudar o rumo”, defendeu.

Voltou a referir que o partido vai votar contra, mas que estão "tranquilos" porque foram informados que este documento teria de ser à esquerda, invocando as declarações do primeiro-ministro no final de agosto, ao Expresso.

Tal como nos orçamentos anteriores, este orçamento limita-se a olhar para o presente e quem vier atrás, que feche a porta”.

 

Por todas as razões que anunciámos, o PSD vai votar contra esta proposta do Orçamento do Estado para 2021. Fazemo-lo, também, com a tranquilidade de quem foi informado, por quem de direito, que o seu projeto tem de ser à esquerda e que, por isso, qualquer outro sentido de voto do PSD não teria qualquer efeito em matéria de estabilidade económica ou de prevenção de uma inoportuna crise política. Temos os pés bem assentes na terra, guiamo-nos pelo interesse naiconal e, assim sendo, renunciaremos sempre à demagodia, ao populismo e ao facilitismo. É esta a nossa linha de rumo, foi, pois, com ela bem presente que, em consciência, tomámos a nossa decisão".

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 19:09