O chumbo do Orçamento do Estado para 2022 e o consequente cenário de eleições antecipadas foram notícia lá fora, com a imprensa internacional a descrever a situação como "um divórcio entre os partidos da esquerda portuguesa" e um "abandono de Costa", que ficou "sem os antigos parceiros".

Do lado espanhol, a agência noticiosa EFE começa por dizer, no título do artigo, que "a esquerda abandona Costa e Portugal prepara-se para eleições antecipadas", acrescentando que o primeiro-ministro "pediu uma maioria estável e duradoura para a próxima legislatura".

O El País fala de uma "derrota" do primeiro-ministro português, que se encontra "debilitado politicamente", depois do chumbo do Orçamento pelos seus "antigos parceiros, que se juntaram ao 'não' dos conservadores".

Também o espanhol El Periódico escreveu que "o aclamado acordo de esquerda que permitiu ao Partido Socialista (PS) governar em Portugal desde 2015 chegou definitivamente ao fim", depois de "o Governo socialista não ter conseguido o aval dos seus antigos parceiros de esquerda para aprovar as contas" do Orçamento do Estado para 2022.

Já o francês Le Monde fala numa "inesperada rejeição" do Orçamento do Estado para 2022, "fruto de um divórcio entre os partidos da esquerda portuguesa", que "deve marcar o fim prematuro do Governo socialista de António Costa".

Para o Le Fígaro, o "anunciado fracasso" da proposta orçamental "ameaça a sobrevivência do Governo", pois "abrirá caminho à dissolução do Parlamento e à convocação de eleições legislativas antecipadas". A publicação francesa salienta ainda o fim do que designa por "frágil união de esquerda", que, acrescenta, "começou a ruir após as eleições de outono de 2019".

Por sua vez, a agência Reuters adianta que o "Parlamento de Portugal rejeitou o orçamento para 2022 do Governo socialista (...) abrindo caminho para eleições antecipadas e encerrando seis anos de relativa estabilidade política". A agência noticiosa descreveu o Bloco de Esquerda e o PCP como os "antigos aliados de Costa", que se "juntaram aos conservadores para chumbar o Orçamento do Estado" face à recusa das suas exigências.

O The Guardian adianta que "depois de semanas de negociações, os socialistas moderados foram desertados pelos seus aliados da extrema-esquerda do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda" - os dois partidos que "ajudaram a fortalecer o poder do Governo nos últimos seis anos, votando a favor das suas políticas, ou abstendo-se".

Também O Globo escreveu que "o plano" do chumbo do orçamento do Estado "contou com a oposição de antigos aliados de esquerda do primeiro-ministro, António Costa", acrescentando que a decisão de eleições antecipadas está agora nas mãos do Presidente da República.

Beatriz Céu