Francisco Assis, presidente do Conselho Económico e Social, esteve na TVI24 esta sexta-feira, depois de ter estado reunido com Marcelo Rebelo de Sousa.

O socialista recusou partilhar a opinião sobre a data em que devem ocorrer as eleições antecipadas. Ainda assim, Assis lembrou que “esta é uma crise política e não motivada por fatores financeiros ou sociais”.

Mais importante que a data das eleições é o tom em que vão decorrer", disse na TVI24.

O presidente do Conselho Económico e Social (CES) mostrou-se esta sexta-feira convicto de que há condições para que o problema que existia no âmbito da Concertação Social fique resolvido no curto prazo e apelou à serenidade face à atual crise política.

Estou convencido de que estão criadas todas as condições para que, no curto prazo, se resolva o problema que existia no âmbito da Concertação Social”, precisou Francisco Assis, em declarações no final de uma audiência com o Presidente da República e referindo-se ao anúncio feito pelas confederações patronais, na semana passada, de que iam retirar-se da Concertação Social.

Referindo-se ao atual quadro político, o presidente do CES sublinhou por várias vezes ser necessário enfrentá-lo com serenidade, lembrando que, ao contrário do que sucedeu em ocasiões anteriores, desta vez a crise política não resulta de uma crise económica.

Estamos num momento em que tem de haver serenidade. Estamos perante uma crise puramente política, que será resolvida”, referiu, sublinhando que, neste quadro, seria importante que o país assista e os partidos promovam um debate sério e esclarecedor.

Questionado sobre qual considera ser a melhor data para a realização de eventuais eleições antecipadas, referiu que mais importante do que a questão dos calendários é a criação de condições para um debate esclarecedor e em que os partidos não inviabilizem a possibilidade de participar em futuros consensos.

Espero francamente que nenhum partido politico, todos eles, opte por um tipo de discurso que tenha como efeito afastá-lo da possibilidade de participar nalguns consensos que, de certeza absoluta, vão ser necessários”, precisou.

O Presidente da República ouviu esta sexta-feira os parceiros sociais, com as audiências a começarem pelas quatro confederações patronais, que foram recebidas em conjunto por Marcelo Rebelo de Sousa, seguindo-se as centrais sindicais e o presidente do CES.

O parlamento ‘chumbou’ na quarta-feira, na generalidade, o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) com os votos contra do PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e IL, abrindo caminho a eleições legislativas antecipadas.

O PS foi o único partido a votar a favor da proposta orçamental, que mereceu as abstenções do PAN e das duas deputadas não-inscritas, Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

Antes da votação, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha avisado que perante um chumbo do OE2022 iria iniciar "logo, logo, logo a seguir o processo" de dissolução do parlamento e de convocação de eleições legislativas antecipadas.

Para dissolver a Assembleia da República, o Presidente tem de ouvir os partidos parlamentares, o que acontece no sábado, e o Conselho de Estado, que se reúne na quarta-feira.

/ NM