A porta-voz do PAN considerou esta quarta-feira que o Presidente da República "se precipitou" ao colocar a hipótese de dissolver o parlamento após chumbo do Orçamento, considerando que "há outras opções" que podem ser esgotadas como um novo documento.

Em declarações aos jornalistas, nos corredores da Assembleia da República, após o chumbo do Orçamento de Estado para 2022 (OE2022), Inês Sousa Real foi questionada sobre se preferia que o Governo apresentasse um novo documento ao invés do cenário de eleições legislativas antecipadas.

Bom, isso estará nas mãos do Presidente da República. Achamos que, efetivamente, o Presidente da República se precipitou ao convocar, desde já, a ideia de que irá dissolver a Assembleia da República", respondeu a deputada.

Inês Sousa Real acrescentou que, caso o país vá a eleições, o PAN "apresentar-se-á evidentemente ao escrutínio do povo português, sem qualquer receio".

Questionada diretamente sobre o que irá o partido comunicar ao chefe de Estado neste contexto, a porta-voz disse que irá ouvir Marcelo Rebelo de Sousa para "perceber quais são as soluções que estão em cima da mesa", mas considerou que "há outras opções que podem e devem ser esgotadas".

Nomeadamente a possibilidade de trazer um novo orçamento à Assembleia da República, preferimos isso do que uma gestão em duodécimos , porque um novo orçamento permite uma maior participação de todas as forças políticas na construção de um orçamento, mas sabemos que o país não quer uma crise orçamental e foi esse sentido de responsabilidade que nos levou a dar pelo menos uma oportunidade de que este orçamento fosse discutido em especialidade", sustentou.

Inês Sousa Real disse ainda que "está tudo nas mãos do senhor Presidente da República" e que irá "aguardar pelo que será o futuro do país nos próximos dias".

Hoje, em declarações aos jornalistas, logo após o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 na generalidade, o primeiro-ministro considerou que, "a partir de agora, naturalmente, tendo a Assembleia da República tomado esta decisão, que não permite avançar nas negociações do Orçamento, cabe exclusivamente a sua excelência o senhor Presidente da República avaliar esta situação e tomar as decisões que entenda dever tomar".

"O Governo, naturalmente, respeita as competências próprias do Presidente da República, nenhum comentário terá a fazer às decisões do Presidente da República. E cá estaremos para fazer o que for a decisão do senhor Presidente da República : governar por duodécimos, se for essa a sua decisão, ir ara eleições, se for essa a sua decisão", acrescentou António Costa.

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