Após o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 (OE22), Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares já está de olhos postos no futuro, como quem diz: nas eleições legislativas, que devem acontecer já em janeiro.

Em entrevista ao Hora da Verdade, na Renascença, Duarte Cordeiro abordou vários temas da direita à esquerda, tirando algumas conclusões das eleições autárquicas, com o olhar nas legislativas, sem esquecer o Orçamento do Estado para 2022 agora chumbado.

Do nosso lado, existiu sempre uma preocupação enorme para tentar a viabilização.O governo não se demite, está cá para trabalhar, para enfrentar as dificuldades que tiverem de existir, sejam elas de natureza externa ou interna. Projetar uma ideia diferente era não corresponder às expectativas que os portugueses têm sob o papel que temos que desempenhar. Cabe ao Presidente da República fazer a sua interpretação. Face à sua interpretação, cá estamos para assumir as responsabilidades. O sr. Presidente da República decidiu marcar eleições, estaremos à hora que for, no local onde for, no mês em que for, contra quem for”, explicou Duarte Cordeiro, garantindo que o governo e o partido socialista não saem enfraquecidos após o chumbo do Orçamento do Estado, mas que não desejavam uma crise. 

“A leitura que fizemos é que procurámos ir até ao limite do que era prudente e que não punha em causa a recuperação do país”. No caso do Bloco de Esquerda (BE), por exemplo, “sentimos que se foram fechando em nove propostas, como se fossem sagradas e não fosse possível discutir para além disso, o que dificultou o processo”, explicou, avançando que o BE não satisfez as expectativas do governo e que se dizia estar disponível para negociar mas que se tratava de uma "falsa disponibilidade".

Relativamente ao futuro, Duarte acredita ter sido clarificada, durante o debate, a diferença entre o projeto político que tem a direita e o projeto político que existe à esquerda. "Não sabemos quem são os protagonistas da direita, isso é outro filme, mas parece-nos evidente que a direita vai ter de negociar ou lidar com a extrema-direita porque não existem soluções de governabilidade à direita sem extrema-direita.", disse.

O secretário de Estado mostrou-se ainda preocupado com o resultado das últimas eleições autárquicas, a 26 de setembro, apelando ao voto à esquerda nas próximas eleições legislativas. "Um dos ensinamentos que devemos tirar das eleições, em particular de Lisboa, é que se a esquerda não for votar, a direita vai votar e ganha. Se as pessoas querem governabilidade devem dar um voto reforçado ao PS e devem também dar um sinal aos partidos políticos que se indisponibilizaram para votar este Orçamento, de que a sua opção é que haja capacidade de governar à esquerda em Portugal."

Duarte Cordeiro admitiu ainda que a "geringonça" sai fragilizada após a tomada de posição do PCP e do Bloco de Esquerda face ao OE22.

"As marcas ficarão, com certeza, mas acho que tem de haver uma leitura dos resultados. Nós estamos de consciência tranquila sobre aquilo que procurámos fazer.", rematou.

Com o Orçamento do Estado chumbado e a provável convocação de eleições antecipadas, saiba quais e quando vão ser os próximos passos, aqui.