O assumir da "responsabilidade política" do antigo secretário de Estado Paulo Núncio, no caso das transferências para paraísos fiscais, para o PS não é mais do que a prova da "negligência" do executivo PSD/CDS-PP no acompanhamento desse dossiê enquanto estava à frente do governo.

O governo de PSD e CDS foi muito eficaz, foi de uma grande eficácia a cobrar impostos aos portugueses (...) mas depois foi bastante negligente no acompanhamento dos grandes fluxos financeiros para offshore"

A reação do PS foi feita pela voz do secretário nacional Eurico Brilhante Dias, em declarações à agência Lusa, depois do antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais ter assumido a sua "responsabilidade política" pela não publicação de dados relativos às transferências dinheiro para offshore - em causa estão 10 mil milhões de euros que voaram para paraísos fiscais. Núncio pediu também, este sábdo, o abandono das suas funções atuais no CDS-PP.

A "negligência" do anterior executivo, prosseguiu Eurico Brilhante Dias, tem uma "responsabilidade acrescida" a nível político. O argumento do PS é que a mesma aconteceu num momento em que "aos portugueses foi pedida uma grande dose de sacrifícios", nomeadamente por via do aumento dos impostos.

Vamos continuar a acompanhar este caso e à procura da verdade, no sentido de garantir equidade fiscal de todos os portugueses perante a administração fiscal"

 

Em declarações ao Diário de Notícias, na sexta-feira, o ex-secretário de Estado tinha defendido que a Autoridade Tributária tinha autonomia para avançar e não estava dependente da sua ordem.

O ex-diretor do Fisco, José Azevedo Pereira, logo desmentiu o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, garantindo que este tomou a decisão política de manter os dados sobre a fuga ao Fisco em segredo.

No debate quinzenal da semana passada, a líder do CDS, Assunção Cristas, acusou o Governo socialista de António Costa de "plantar notícias" sobre as offshore e, na altura, dizia que os centristas "estão muito tranquilos". Agora vê o seu ex-secretário de Estado assumir responsabilidades e pedir para sair do partido.

/ VC