António Costa revelou, esta quarta-feira, que não deu conhecimento ao Presidente da República da denúncia feita sobre os militares portugueses envolvidos num esquema de tráfico de diamantes porque também ele não foi informado, em declarações aos jornalistas, durante a sua visita a Berlim. 

Eu também não informei o senhor Presidente da República pelo simples facto de que também não fui informado”, disse o primeiro ministro depois de um almoço com o vencedor das eleições na Alemanha e atual vice-chanceler Olaf Scholz. 

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu na terça-feira, na cidade de Praia, em Cabo Verde, não ter sido informado antes, pelo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, do suposto envolvimento de militares no contrabando de diamantes a partir da República Centro Africana.

O Presidente da República terá que dizer qual é a avaliação que tem de fazer sobre a matéria (…) a única coisa que eu posso confirmar é que eu também não informei o senhor Presidente da República pelo simples facto que eu também não estava informado”, adiantou o António Costa.

Já hoje, o Presidente da República recusou comentar as suas relações com o Governo depois de não ter sido informado.

À saída de um encontro com jovens na Livraria Barata, em Lisboa, a comunicação social questionou sucessivamente o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, sobre este assunto, perguntando-lhe se entende que foi desconsiderado pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, e se espera explicações formais do Governo.

A todas essas perguntas Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que não comentava, limitando-se a reiterar a opinião de que "a reputação das Forças Armadas Portuguesas estava intacta".

Questionado se neste caso se verificou uma nova falha de comunicação entre o ministro da Defesa e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa retorquiu: "Não levam a mal, mas eu não tenho mais nada a comentar. Percebo a vossa curiosidade, estão na vossa função, mas eu também estou na minha função."

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou em 8 de novembro a execução de 100 mandados de busca e 10 detenções, incluindo de militares e ex-militares, no âmbito da Operação Miríade, na sequência de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que “se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas”.

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares e portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios” no tráfego de diamantes, adiantando que o caso foi reportado em dezembro de 2019.

/ JGR