Constança Cunha e Sá disse, esta terça-feira, na TVI24, que a nova taxa a aplicar aos pensionistas está a «enlouquecer» os dirigentes nacionais. A comentadora acusou Passos Coelho de ter anunciado uma medida que já sabia que não seria aplicada e classificou a atitude do primeiro-ministro de «pura jogada política» para sensibilizar a «troika».

Constança Cunha e Sá referiu-se a uma «alegre e extraordinária confusão» que se gerou depois de Paulo Portas dizer que não concorda com Passos Coelho naquele ponto. Esta terça-feira, a «confusão» aumentou quando o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, não se entendeu com as versões que ouviu de Passos Coelho sobre essa mesma taxa a aplicar aos pensionistas: se é para avançar ou não.

«É evidente que isto é uma encenação. Não acredito que tenha havido aqui grandes problemas, nem grandes crises na coligação. Não tenho nenhuma dúvida que quando Passos Coelho avançou com esta medida já sabia à partida que ela ia desaparecer», defendeu a comentadora, no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

A comprovar a «encenação», disse Constança Cunha e Sá, está o valor atual da taxa de solidariedade, que este ano foi avaliada em 420 milhões de euros e está a incidir sobre pensões a partir de 1.350 euros. Um valor praticamente idêntico, acrescenta a comentadora, à taxa de 436 milhões, prevista para 2014, e que abrangerá pensões abaixo dos 600 euros. «Ora, se for para incidir sobre pensões abaixo dos 600 euros, este valor não faz sentido. Teria de ser um valor muito maior, porque abaixo dos 600 euros estão quase 80% das pensões. Portanto, este valor não faz sentido nenhum. Este valor só foi ali posto para poder ser retirado», concluiu.

Para Constança Cunha e Sá, tal «encenação» só se entende politicamente: «No fundo, é como se Passos Coelho abrisse a porta com uma medida para que Paulo Portas dois dias depois a pudesse retirar. Isto não faz qualquer espécie de sentido, a não ser evidentemente numa encenação de grande drama e de grande coragem perante a troika: nós estamos aqui para defender os reformados. (...) E Paulo Portas faz figura de herói porque conseguiu garantir os reformados».

«A isto chama-se uma pura jogada política, que considero lamentável porque é uma falta de respeito para com as pessoas a quem já foram exigidos tantos e tantos sacrifícios. Estar a inventar sacrifícios que não vão existir parece-me uma coisa de loucos, mesmo», rematou.
Redação / AR